O mercado financeiro brasileiro viveu uma segunda-feira (9) de euforia. Em um movimento sincronizado de valorização dos ativos nacionais, o dólar comercial despencou para R$ 5,188 — o menor patamar em quase dois anos — e a Bolsa de Valores (B3) rompeu barreiras para atingir a máxima histórica, superando os 186 mil pontos. As informações são de Wellton Máximo, da Agência Brasil.
A moeda norte-americana encerrou o dia com queda de 0,62%, chegando a ser negociada a R$ 5,17 na mínima do dia. Este é o menor valor de fechamento desde 28 de maio de 2024. No acumulado de 2026, o dólar já apresenta uma desvalorização de 5,47% frente ao real, aliviando a pressão inflacionária e barateando custos de importação.
Na contramão do câmbio, o índice Ibovespa disparou 1,8%, fechando aos 186.241 pontos. O desempenho foi impulsionado pelos "pesos-pesados" da bolsa: ações de bancos, petroleiras e mineradoras, que surfaram na onda de otimismo global. Com o resultado de hoje, a bolsa brasileira acumula uma alta expressiva de 15,69% apenas nestes primeiros 40 dias de 2026.
O "Efeito China" e o cenário global
A queda do dólar e a disparada da bolsa não são movimentos isolados do Brasil, mas reflexo de um realinhamento econômico global. O principal fator para o otimismo foi a recomendação do governo da China para que bancos privados do país reduzam a compra de títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Como a China é a maior detentora de papéis da dívida americana, a decisão de diversificar suas reservas internacionais enfraqueceu o dólar globalmente e aumentou o apetite por moedas de países emergentes, beneficiando o Real, o peso mexicano e o rand sul-africano.
Além do "fator China", outros dois elementos contribuíram para o cenário:
Estados Unidos: Dados fracos do mercado de trabalho americano, divulgados na semana passada, aumentaram a aposta de que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) voltará a cortar os juros em breve, o que atrai capital para países como o Brasil.
Japão: A vitória eleitoral da primeira-ministra Sanae Takaichi fortaleceu o iene, ajudando a pressionar o dólar para baixo no mercado internacional.
O mercado avalia que esse ambiente favorável aos emergentes, observado desde o início de 2026, tende a persistir nos próximos meses, mantendo o real valorizado e a bolsa em trajetória de alta.





