NOTICIÁRIO Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026, 23:50 - A | A

Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026, 23h:50 - A | A

POLÍTICA & PODER

Sem favorito ao Governo e Senado congestionado: o xadrez imprevisível de 2026 em MT

Da Redação

Mato Grosso caminha para a eleição de 2026 com um cenário inédito nas últimas duas décadas: não há um favorito absoluto para a disputa ao Governo do Estado. A análise é do jornalista e consultor político Vinícius Carvalho, que participou do Jornal da Cultura na manhã desta segunda-feira (06) e destrinchou o tabuleiro sucessório em conversa com os apresentadores da rádio, Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.

Segundo Carvalho, desde 2002 o estado sempre teve candidaturas majoritárias que largavam com ampla vantagem. Desta vez, o quadro é de incerteza, fragmentação e competitividade acirrada. “Temos nomes competitivos, como Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes, mas não existe um favorito claro. Estamos diante do fim de um ciclo político”, afirmou o analista.

Esse ciclo, iniciado com a era Blairo Maggi, já soma seis mandatos consecutivos sob a influência do mesmo grupo político — passando por Silval Barbosa, Pedro Taques (cujo vice, Carlos Fávaro, era ligado ao agronegócio e ao grupo de Maggi) e agora Mauro Mendes. “Se Pivetta ganhar, seria o sétimo mandato consecutivo de um mesmo grupo. Há um cansaço geracional natural. Quem nasceu em 2002 já está no mercado de trabalho e só conheceu essa hegemonia”, explicou Carvalho.

A entrevista trouxe à tona os principais desafios para a sucessão estadual e o congestionamento na disputa pelas duas vagas ao Senado, além do impacto de desgastes recentes que podem afetar candidaturas tidas como consolidadas.

O fator Jayme Campos e a disputa na União Brasil

Um dos pontos altos da análise foi a movimentação do senador Jayme Campos (União Brasil), que tem elevado o tom das críticas ao governo Mauro Mendes e sinalizado disposição para disputar o Palácio Paiaguás. Para Vinícius Carvalho, Jayme sabe que um segundo turno é praticamente inevitável caso ele entre na disputa, o que mudaria a dinâmica eleitoral do estado, historicamente resolvida em turno único.

“Jayme está fazendo um rebranding. Ele quer demarcar território e se apresentar como oposição ao grupo de Mauro e Blairo. Ele sabe que o segundo turno está na mão dele. Se ele for candidato, racha o eleitorado conservador e força uma nova rodada”, avaliou.

Apesar de considerar difícil que Jayme leve a candidatura até o fim — apostando mais em uma reeleição ao Senado ou composição estratégica —, Carvalho reconhece a força do senador dentro da União Brasil, destacando que a capilaridade da família Campos e o controle da máquina partidária dão a Jayme um poder de negociação desproporcional. “Ele nunca perdeu uma eleição majoritária e tem a fama de não entrar em disputa para perder. Se ele mantiver a candidatura, será para negociar em patamar elevado ou para implodir o favoritismo de qualquer adversário”, disse.

A vulnerabilidade de Pivetta e o desgaste do Governo

O vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), candidato à sucessão de Mauro Mendes, foi classificado pelo consultor como um nome competitivo, sustentado pela máquina e pelo poder econômico, mas que enfrenta um cenário de vulnerabilidade.

Para Carvalho, a campanha não será em “céu de brigadeiro”. “A candidatura de Pivetta é vulnerável. Ele tem a máquina e um governo bem avaliado em infraestrutura, mas há temas sensíveis que vão impactar. Se a eleição fosse há um ano, ele estaria nadando de braçada. Hoje, o cenário é outro”, admitiu.

O analista reforçou que a blindagem do atual governo está sendo testada diante da necessidade de transferir votos. “Mauro Mendes tem a obrigação de ganhar ou de eleger o sucessor. Para quem está com a máquina na mão, perder é um desastre”.

Senado: a "briga de foice" por duas vagas

A disputa pelas duas cadeiras ao Senado promete ser a mais acirrada das últimas décadas. Com uma profusão de pré-candidatos competitivos — Janaína Riva, Carlos Fávaro, Pedro Taques, Mauro Mendes, José Medeiros e Antônio Galvan —, a eleição tende a ser decidida nos detalhes e na capacidade de capilaridade.

Para Vinícius, a deputada estadual Janaína Riva (MDB) desponta com favoritismo por conseguir transitar em três eleitorados: a direita tradicional, o centro e até parte da esquerda, dependendo da composição. “Ela tem presença e discurso. Se aliar a Wellington Fagundes, por exemplo, consolida uma chapa fortíssima”, analisou.

Sobre o ex-governador Pedro Taques, a avaliação foi de ressurgimento político. “Ele tem feito uma oposição inteligente e sistemática ao governador Mauro Mendes e reconquistou o respeito do funcionalismo público. A atuação dele no caso dos consignados e o combate às facções o recolocaram no jogo majoritário”, afirmou Vinícius.

Já a situação de Mauro Mendes na disputa ao Senado foi vista com cautela pelo analista. Embora favorito, com uma forte presença em todo o Estado e com um enorme volume de obras entregues, o governador, que até pouco tempo era considerado imbatível, enfrenta o desgaste natural de dois mandatos. “A eleição para o Senado virou perigosa para o Mauro. Ele pode sair do governo e enfrentar uma campanha sangrenta”, alertou.

O fator Lula e a esquerda em MT

Embora Mato Grosso seja um reduto conservador, a análise aponta que o presidente Lula tende a ter um desempenho superior ao de 2022 no estado, impulsionado por entregas como casas populares, Institutos Federais e obras de infraestrutura.

Esse cenário fortalece a candidatura à reeleição do ministro Carlos Fávaro (PSD), que deve capitalizar as obras do governo federal. “Fávaro tem a máquina federal na mão e entregas concretas. Numa eleição pulverizada, com a direita dividida entre três ou quatro nomes, ele tem chances reais de ficar com uma das vagas”, completou Vinícius.

Fim de ciclo e renovação forçada

A conclusão da análise é que 2026 marcará o fim de uma era na política mato-grossense. A hegemonia do grupo que comanda o estado há 24 anos dá sinais de exaustão, enquanto novas forças — da direita bolsonarista fragmentada à reorganização do centro — tentam ocupar o vácuo.

“Não há salvadores da pátria nem favoritos imbatíveis. Será uma eleição de desempenho, de debate e, principalmente, de explicação. Quem tiver menos esqueleto no armário e mais sola de sapato para gastar, leva”, finalizou Vinícius Carvalho.

 



Comente esta notícia

Nossa República é editado pela Newspaper Reporter Comunicação Eireli Ltda, com sede fiscal
na Av. F, 344, Sala 301, Jardim Aclimação, Cuiabá. Distribuição de Conteúdo: Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Nova Brasilândia e Primavera do Leste, CEP 78050-242

Redação: Avenida Rio da Casca, 525, Bom Clima, Chapada dos Guimarães (MT) Comercial: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

[email protected]/[email protected]

icon-facebook-red.png icon-youtube-red.png icon-instagram-red.png icon-twitter-white.png