O senador Jayme Campoa, confirmou publicamente a adesão às candidaturas da Wellington Fagundes (PL) e Janaína Riva (MDB), descartando apoio a Otaviano Pivetta (Republicanos) e a Mauro Mendes, que liderou no União Brasil o veto a sua candidatura. Jayme abriu mão da neutralidade e, durante a convenção do MDB, nesta terça-feira, afirmou que dará total apoio ao projeto de Wellington ao Governo e Janaina Riva ao Senado Federal.
"Eu, minha esposa e minha família, certamente também meus companheiros de jornada viemos aqui hipotecar o nosso apoio incondicional e irrestrito à candidatura da nossa futura senadora Janaina Riva, essa valorosa mulher mato-grossense, jovem, que com certeza vai defender a sociedade mato-grossense, com políticas públicas que possam defender toda a coletividade. Tenho a convicção e a certeza de que o povo mato-grossense que eleger uma senadora, que certamente tenha compromisso com o nosso povo, não alguns que querem defender grupos econômicos que trabalham com interesse pessoal e particular. Venho manigestar meu apoio para que seja a legítima representante da mulher e do povo mato-grossense. Conta comigo e com minha esposa", declarou Jayme Campos.
A fala de Jayme Campos pode ser considerada um desagravo a candidatura de Mauro Mendes, que também colocou o nome na corrida ao Senado da República.
"Quero agradecer esse apoio que muito me orgulha e honra de um homem e uma mulher, Jayme Campos e Lucimar Campos, que tem serviço prestado em todo o estado de Mato Grosso. E tem o respeito também do MDB e do povo mato-grossense. E aqui serão tratados como verdadeiros líderes, com respeito que lhes cabe e merecem", respondeu Janaina Riva ao apoio.
Jayme, ao ser questionado pela imprensa sobre o apoio a Wellington Fagundes, Foi categórico: "estamos todos juntos". Durante discurso aos convencionais do MDB, o senador do União Brasil frisou que "Wellington será o nosso governador". Antes disso, afirmou que a campanha enfrentará "o poder da máquina e a força do dinheiro", referindo-se à campanha eleitoral de Otaviano e Mauro Mendes.
Campos deixou o encontro partidário do União Brasil afirmando que respeitaria o resultado, mas denunciou a condução do processo e disse ter sido impedido de disputar em condições que considerava democráticas. Desde então, seu grupo passou a articular uma candidatura capaz de enfrentar Pivetta.
A primeira alternativa foi incentivar Max Russi a disputar o Governo pelo Podemos. O projeto perdeu sustentação quando Janaína Riva fechou aliança com o PL para concorrer ao Senado e Max recuou da candidatura própria.
Restou Wellington.
Apoio anunciado por terceiro
Ao confirmar a aliança entre PL e MDB, Wellington incluiu Jayme entre as lideranças que, segundo ele, estarão em sua campanha.
— Inclusive, com agora o apoio também do senador Jayme Campos, com todos aqueles que querem fazer de Mato Grosso um Estado de oportunidade para todos, nós vamos estar juntos — declarou.
Os dois senadores (Jayme e Wellington) mantêm relação política de décadas e já haviam admitido entendimento segundo o qual poderiam apoiar aquele que tivesse melhores condições eleitorais.
Essa hipótese ganhou força depois da convenção que preteriu Jayme. O grupo do senador passou a defender uma candidatura de oposição competitiva para impedir que Pivetta disputasse sem um adversário forte no campo da direita.
O peso da derrota
O senador não perdeu uma eleição popular. Foi preterido dentro do partido que ajudou a construir em Mato Grosso desde as antigas estruturas da do PDS, do PFL e do Democratas.
A derrota também teve dimensão política. A maioria dos convencionais aceitou o argumento de que Pivetta representa a continuidade administrativa e possui melhores condições para governar o Estado.
Ao defender a candidatura do atual governador, Mauro Mendes associou outras alternativas ao risco de retrocesso. A mensagem atingiu diretamente Jayme, único nome que disputava internamente a indicação ao Governo.
Por isso, um eventual apoio a Pivetta não seria uma simples adesão partidária. Exigiria que Jayme aceitasse a liderança do grupo que o derrotou e o argumento político utilizado para afastá-lo.
Já o apoio a Wellington produz o movimento inverso: transforma o ressentimento interno em reação eleitoral contra Mauro e Pivetta.
Dilema com as proporcionais
Júlio Campos, Dilmar Dal'Bosco e outras lideranças que defenderam a candidatura própria continuam vinculados ao partido e às chapas proporcionais da Federação União Progressista. Uma ruptura aberta como a assumida por Jayme Campos pode aumentar o conflito e provocar pressões sobre os candidatos.
Júlio Campos já aventa a possibilidade de deixar a disputa pela Assembleia Legislativa, mas essa decisão ainda não foi tomada. Dal'Bosco deve manter sua candidatura e tem a expectativa de ter votos suficientes para garantir sua reeleição. Mas a saída de Júlio do páreo pode deixar o União Brasil com um único parlamentar na Assembleia.
Nota de Transparência
Esta matéria foi produzida a partir das declarações públicas de Wellington Fagundes e de Jayme Campos, do resultado oficial da convenção do União Brasil, do MDB e de informações cruzadas na cobertura jornalística da imprensa estadual.






