A corrida eleitoral de 2026 em Mato Grosso não apenas já começou, como entra em uma fase decisiva de posicionamento de imagem e disputa de narrativas. A análise é do jornalista e consultor de marketing político Kleber Lima, que foi o entrevistado desta segunda-feira (09) no programa Nossa República, apresentado pelo jornalista Mauro Camargo.
Lima, que acumula experiência em diversas campanhas majoritárias, destacou que o calendário oficial da Justiça Eleitoral foi atropelado pela realidade política. "A campanha começa no dia seguinte ao fim da eleição anterior. O que vemos hoje é a construção de bandeiras e narrativas. Quem deixar para começar em agosto do ano eleitoral, já perdeu", afirmou.
Durante a conversa, o marqueteiro dissecou o cenário atual, apontando que a polarização ideológica, embora ainda barulhenta nas redes sociais, perdeu a capacidade de decidir sozinha o pleito. "O eleitor está cansado da briga de torcida. A bolha radical existe, mas representa de 5% a 10% de cada lado. A eleição será decidida no centro, por quem apresentar soluções reais para as dores das pessoas", avaliou.
O desafio de Pivetta e o "abraço de afogado"
Um dos pontos centrais da análise foi a situação do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), pré-candidato à sucessão de Mauro Mendes. Para Kleber Lima, Pivetta enfrenta dificuldades em se apropriar do legado do atual governo, apesar de fazer parte dele.
"O Mauro Mendes tem feito o dever de casa, transferindo capital político e colando a imagem no vice. Mas o Pivetta ainda não conseguiu comunicar que obras estruturantes, como a duplicação da BR-163, também têm a digital dele. Ele é muito tecnicista, focado em resultado, e política não é empresa. Política é conquista, é 'pão, pão, queijo, queijo'. Ele precisa humanizar o discurso", alertou.
Lima ainda ponderou que o governador Mauro Mendes, escaldado pela experiência de 2002 — quando Dante de Oliveira perdeu o Senado ao tentar "salvar" a candidatura de Antero Paes de Barros ao governo —, não fará loucuras. "O Mauro não vai dar abraço de afogado. Ele vai nadar junto até onde der. Se o Pivetta não se viabilizar, o governador seguirá na sua raia para garantir a vaga no Senado", analisou.
Esquerda viável e direita dividida
A pulverização da direita mato-grossense, com possíveis candidaturas de Pivetta, Wellington Fagundes (PL) e até Jayme Campos (União), abre uma avenida inédita para a esquerda. Segundo Kleber Lima, pesquisas recentes mostram que o presidente Lula mantém um piso de 35% de aprovação nas cidades-polo do estado.
"Se a direita se dividir em três candidaturas, esses 65% de votos conservadores se fragmentam. Nesse cenário, uma candidatura de centro-esquerda, como a de Natasha Slhessarenko ou do ministro Carlos Fávaro, que assuma o legado de Lula e entregue resultados, tem chance real de ir para o segundo turno. A Natasha, por exemplo, corrigiu a rota e assumiu o governo federal. Se ajustar o discurso, torna-se muito competitiva", projetou.
O fim dos "fenômenos de internet"
Sobre o papel das redes sociais, Kleber Lima foi categórico: o tempo dos "fenômenos de internet" que se elegem sem lastro na realidade acabou. Ele citou exemplos de políticos que tiveram votações expressivas baseadas apenas na lacração digital, mas que não conseguiram se reeleger ou perderam relevância por falta de entregas concretas.
"A internet hoje é para entretenimento. O algoritmo mudou e o eleitor também. Quem não tiver serviço prestado na vida real, não se sustenta. O Abilio se elegeu prefeito com base na dor do eleitor cuiabano, prometendo resolver a corrupção e os buracos. Agora, ele precisa entregar. Se ficar só no vídeo, o encanto acaba rápido", finalizou.





