NOTICIÁRIO Domingo, 08 de Fevereiro de 2026, 11:44 - A | A

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TENSÃO NO ALENCASTRO

Prefeitura de Cuiabá vive crise política após denúncias contra então secretário William Campos

Da Redação

Uma série de acontecimentos envolvendo o então secretário municipal de Trabalho de Cuiabá, William Leite de Campos, tem provocado abalos políticos e debates públicos na capital do Mato Grosso nas últimas semanas. O caso ganhou repercussão após o prefeito Abílio Brunini (PL) fazer um pedido formal de investigação e enfrentar reações na Câmara Municipal, incluindo a proposta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). No entanto, neste final de semana, o caso se agravou ainda mais. Denúncias de assédio sexual e moral, feitos por uma ex-servidora, vieram à tona e culminaram na saída de William do staff municipal. 

Pedido de investigação 

No início de janeiro de 2026, o prefeito Abílio Brunini informou publicamente que havia recebido “denúncias e suspeições” envolvendo William Campos, que na época era chefe de gabinete e, posteriormente, secretário municipal de Trabalho. Brunini ressaltou nas redes sociais que encaminhou as suspeitas às autoridades competentes, incluindo Ministério Público e Polícia Civil, para que fossem apuradas com rigor. 

O próprio secretário, em um vídeo divulgado junto com o prefeito, afirmou estar tranquilo e defendeu que “quem não deve, não teme”, reforçando sua confiança no procedimento investigativo. 

As denúncias que provocaram o pedido de investigação não foram reveladas nem pelo Executivo e nem pelo Ministério Público Estadual. 

Arquivamento 

Apesar do pedido de investigação apresentado por Brunini, tanto o Ministério Público de Mato Grosso quanto a Polícia Civil concluíram, ainda em janeiro e início de fevereiro, que não havia elementos suficientes para instaurar uma apuração formal. Segundo os pareceres, não foram encontrados indícios mínimos de improbidade administrativa, irregularidades ou fatos que justificassem abertura de inquérito. 

Pedido de CPI

Em meio ao impasse sobre a investigação institucional, o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) apresentou, em 3 de fevereiro de 2026, um pedido de CPI na Câmara Municipal de Cuiabá para apurar possíveis irregularidades envolvendo William Campos. O requerimento ganhou apoio de alguns parlamentares, motivando debates acalorados no plenário. O pedido de CPI também movimentou o Palácio Alencastro, que acionou a base para que os vereadores não assinassem o pedido de investigação, manobra confirmada pelo secretário de Governo, Ananias Filho, que afirmou que o Executivo teria "outras prioridades" que não a apuração. 

Monteiro argumentou que, apesar do arquivamento pelos órgãos de controle, a Casa Legislativa tem o dever constitucional de fiscalizar atos do Executivo e esclarecer à população qualquer suspeita que envolva a administração pública. 

Denúncia de assédio sexual e exoneração

O caso tomou um novo rumo após uma denúncia de assédio sexual registrada em boletim de ocorrência por uma ex-servidora municipal na Polícia Civil. Segundo o registro, a mulher relata ter sido vítima de condutas impróprias e insistentes por parte de William Campos no ambiente de trabalho, incluindo tentativas de aproximação física e convites para encontros particulares. A denúncia foi formalizada no dia 6 de fevereiro de 2026. 

Em meio à repercussão, William solicitou sua exoneração do cargo de secretário municipal de Trabalho, formalizada na mesma data. Em nota oficial, a Prefeitura confirmou o pedido e informou que a decisão ocorreu por motivos pessoais, com agradecimentos prestados pelo secretário ao prefeito e à equipe de governo. 

Na nota divulgada, Campos afirmou que as manifestações e denúncias envolvendo seu nome haviam sido analisadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, que arquivaram os pedidos de investigação por ausência de fatos concretos, e que sua saída visava preservar a imagem e bem-estar pessoal e familiar. 

O episódio também provocou manifestações públicas dentro do Legislativo municipal. A presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), declarou repúdio a qualquer forma de violência ou assédio, manifestando solidariedade à ex-servidora e defendendo que os fatos sejam rigorosamente investigados dentro do devido processo legal. 



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