Quem acompanha os stories do governador Mauro Mendes (@mauromendesoficial) nas últimas semanas percebe um padrão claro: não há inauguração, vistoria ou aperto de mão sem a presença do vice-governador Otaviano Pivetta ao lado. A maratona de entregas pelo interior de Mato Grosso — que incluiu recentemente oito cidades da região Sul, como Jaciara e Rondonópolis — deixou de ser apenas administrativa. Transformou-se em um verdadeiro "road-show" sucessório.
Nos bastidores, a mensagem que chega aos prefeitos é cristalina, embora não escrita em nenhum ofício: a torneira dos convênios e das obras estruturantes continuará aberta, desde que a fidelidade ao projeto "Pivetta 2026" seja jurada agora.
A tática do "pacote fechado"
Mendes opera com a urgência de quem precisa transferir seu alto índice de aprovação para um sucessor que, embora respeitado pela eficiência, ainda carece do carisma popular e da maleabilidade política do atual titular. Ao colar sua imagem à de Pivetta em cada corte de fita, o governador tenta naturalizar a sucessão, criando um fato consumado antes mesmo que as convenções partidárias se aproximem.
Nas redes sociais, a estratégia é visual. O perfil de Mendes funciona como um álbum de "passagem de bastão". Em postagens recentes, a legenda reforça termos como "continuidade", "trabalho em equipe" e "parceria que dá certo", sempre marcando o vice. É a construção da narrativa de que votar em Pivetta é garantir que a "máquina não pare".
O dilema dos prefeitos
Para os gestores municipais, especialmente os recém-eleitos ou reeleitos em 2024, a situação é delicada. Com os caixas municipais dependentes dos repasses estaduais e das emendas impositivas, negar palanque à dupla Mendes-Pivetta é um risco administrativo que poucos ousam correr.
No entanto, o "abraço de afogado" gera desconforto. Lideranças locais que possuem alianças históricas com outros grupos — como o de Jayme Campos ou mesmo flertes com a oposição federal — sentem-se pressionadas a antecipar um alinhamento que pode custar caro lá na frente. O recado de Mendes é pragmático: quem quer obra, precisa estar no palanque de 2026.
A antecipação da campanha visa também estancar sangrias internas. Ao colocar o bloco na rua com Pivetta consolidado como cabeça de chapa, Mendes tenta desencorajar aventuras solo de aliados insatisfeitos e forçar a união do grupo em torno de um projeto único: elegê-lo ao Senado e manter a chave do Palácio Paiaguás com seu vice. Resta saber se a "política do asfalto" será suficiente para cimentar todas as rachaduras dessa grande aliança.





