POLÍTICA E BASTIDORES
Botelho defende empréstimo de R$ 1,5 bilhão e dispara: "Apoio de Mauro Mendes afastou servidores em 2024"
Em entrevista exclusiva, o deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) analisa o déficit habitacional de Mato Grosso, justifica sua migração partidária e revela mágoa com a falta de reconhecimento na autoria da PEC da Ferrovia Estadual.
Da Redação
O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) subiu o tom em entrevista à jornalista Michely Figueiredo, no Jornal da Manhã (Cultura FM), ao analisar o cenário político e administrativo de Mato Grosso. Entre os temas centrais, o parlamentar defendeu a aprovação do empréstimo de R$ 1,5 bilhão solicitado pelo Governo do Estado para habitação, mas não poupou críticas à forma como a gestão Mauro Mendes conduz o envio de matérias à Assembleia Legislativa.
"Sou favorável à aprovação porque o investimento em casas populares está atrasado. O Fetab é um fundo de transporte e habitação, mas a habitação foi esquecida", afirmou Botelho. No entanto, ele criticou a rotina de enviar projetos "de afogadilho" e em cima da hora. "Isso virou rotina no governo Mauro Mendes. É algo que a Assembleia precisa repensar para o futuro".
A "Paternidade" da Ferrovia e o Desrespeito Institucional
Um dos pontos mais sensíveis da entrevista foi o desabafo de Botelho sobre a Ferrovia Estadual. Autor da PEC que permitiu a concessão, o deputado afirmou que houve um "total desrespeito" com o Legislativo na inauguração do terminal em Dom Aquino. "O pai da ferrovia é a Assembleia Legislativa. Eu sou o autor da PEC e nem deram voz para o presidente falar no palanque. Faltou reconhecimento do Estado, do Governo Federal e da Rumo", disparou.
Autocrítica sobre 2024: O "Peso" do Apoio de Mauro
Ao fazer um paralelo entre as crises internas do União Brasil e sua derrota em 2024, Botelho foi cirúrgico na análise sobre a influência do funcionalismo público em Cuiabá. "O apoio do Mauro Mendes afastou um percentual dos servidores públicos. Essa parte foi essencial para eu não ir para o segundo turno", revelou. Ele ponderou, contudo, que essa dinâmica não necessariamente se repetirá no estado em 2026, dada a menor concentração de servidores em relação ao eleitorado total.
Futuro no MDB e Sucessão Estadual
Agora nas fileiras do MDB, Botelho justificou sua saída do União Brasil como um gesto para "ajudar a montar a chapa" do antigo partido e destacou o acolhimento de Janaína Riva e Baleia Rossi. Sobre 2026, ele defende que o partido ouça todos os candidatos — Otaviano Piveta, Wellington Fagundes e Jaime Campos — antes de fechar alianças. "O oferecido não tem preço. Vamos aguardar ser convidados. Se o Piveta quer o apoio, ele que tem que tomar as rédeas e chamar para conversar", concluiu.






