NOTICIÁRIO Terça-feira, 06 de Janeiro de 2026, 07:50 - A | A

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DIPLOMACIA AMEAÇADA

Brasil condena na ONU ação dos EUA na Venezuela e cita risco à paz regional

Mauro Camargo

O governo brasileiro voltou a condenar a ação armada dos Estados Unidos na Venezuela e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, no último sábado (3).

Durante reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), nesta segunda-feira (5), o embaixador Sérgio França Danese afirmou que a paz na América do Sul está em risco.

De acordo com Danese, intervenções armadas anteriores no continente resultaram em regimes autoritários, violações de direitos humanos, mortes, prisões políticas, tortura e desaparecimentos forçados.

“O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos ter deixado para trás e coloca em risco o esforço coletivo de preservar a região como uma zona de paz”, declarou Danese.

“Reafirmamos com plena determinação o compromisso com a paz e a não intervenção em nossa região”, acrescentou o diplomata.

Para o Brasil, os Estados Unidos cruzaram uma “linha inaceitável” do ponto de vista do direito internacional. Danese disse que a ação norte-americana viola normas das Nações Unidas.

“A Carta da ONU estabelece como pilar da ordem internacional a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas. Essas normas não admitem que a exploração de recursos naturais ou econômicos justifique o uso da força ou a mudança ilegal de um governo”, afirmou.

O embaixador disse que o futuro da Venezuela deve ser decidido pelo povo venezuelano, “por meio do diálogo e sem interferência externa, dentro do marco do direito internacional”.

“O mundo multipolar do século XXI, que promove a paz e a prosperidade, não deve ser confundido com esferas de influência. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, declarou Danese.

A Agência Brasil informou que outros países sul-americanos adotaram argumentos semelhantes aos do Brasil ao condenar as ações dos Estados Unidos na Venezuela, entre eles Colômbia e Cuba, citados pelo presidente Donald Trump como possíveis novos alvos de Washington.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, escreveu no X que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país e que deu ordem à força pública colombiana para atirar contra o “invasor”. “Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, disse.

Na ONU, a embaixadora colombiana Leonor Zalabata Torres afirmou: “Não existe justificativa alguma, em nenhuma circunstância, para o uso unilateral da força nem para cometer um ato de agressão”, e alertou para impactos humanitários e regionais, mencionando pressão migratória.

O embaixador cubano Ernesto Soberón Guzmán disse que o objetivo da ação seria o controle de recursos venezuelanos. “O objetivo final dessa agressão não é a falsa narrativa de combate ao narcotráfico, mas o controle das terras e dos recursos naturais da Venezuela, como foi declarado aberta e descaradamente pelo presidente Trump e por seu secretário de Estado”, afirmou.

Ainda segundo a Agência Brasil, a Argentina se manifestou em defesa da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O embaixador argentino na ONU, Francisco Fabián Tropepi, declarou: “A República Argentina confia que esses fatos representem um passo decisivo contra o narcoterrorismo que afeta a região e, ao mesmo tempo, abram uma etapa que permitirá ao povo venezuelano recuperar plenamente a democracia, o Estado de Direito e o respeito aos direitos humanos”.

Fora do debate sobre a Venezuela no Conselho, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, publicou um posicionamento em vídeo nas redes sociais após declarações de Donald Trump de que cartéis do narcotráfico comandariam o país. A seguir, a fala traduzida para o português: “Que se ouça bem e que se ouça forte. A autoridade moral não se compra nem com todo o dinheiro do mundo. Constrói-se ao longo da vida com coerência e convicções. Quem convoca à violência se engana. Quem incentiva o ódio se engana. Quem acredita que a força substitui a justiça se engana. Quem convoca uma intervenção estrangeira se engana. Quem acredita que as mulheres são fracas se engana. Quem acredita que a transformação dorme se engana. Quem pensa que as campanhas de calúnias e mentiras atingem o povo e os jovens se engana. Quem pensa que o povo é bobo se engana. Porque os que hoje reivindicam a mão dura, a força acima da lei, os que reivindicam a ultradireita, ou essa liberdade que só desfrutam os privilegiados, não conhecem a história do México nem o nosso povo. A nossa honestidade e amor ao povo nos acompanham. Por isso, a campanha de calúnias, de mentiras, não nos afeta, porque o povo sabe que não vamos nos dobrar. O povo do México está mais forte porque sabe que, juntas e juntos, defendemos a soberania, a independência, a democracia e a justiça. Mexicanas e mexicanos, quando caminhamos juntos com os princípios que nos guiaram, nada nos detém. Viva a Revolução Mexicana. Viva Zapata. Viva Villa. Viva Carranza. Viva o México livre, independente e soberano. Viva o México.”

 



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