NOTICIÁRIO Sexta-feira, 03 de Outubro de 2025, 04:04 - A | A

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CRISE DIPLOMÁTICA

Brasil exige libertação de ativistas detidos por Israel em flotilha humanitária

Da Redação

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em nota oficial divulgada ontem à noite, quinta-feira (2), cobrou do governo de Israel a libertação imediata dos 11 cidadãos brasileiros que foram detidos após a interceptação da Flotilha Global Sumud, que navegava em águas internacionais com destino à Faixa de Gaza.

"O Brasil exorta o governo israelense a liberar imediatamente os cidadãos brasileiros e demais defensores de direitos humanos detidos", afirma o comunicado do Itamaraty, que também exige permissão para que representantes da Embaixada do Brasil em Tel Aviv possam visitar os ativistas.

A chancelaria brasileira já notificou o governo israelense sobre sua discordância com a operação militar. Para o Brasil, a ação viola o direito internacional de liberdade de navegação, previsto em convenção das Nações Unidas, além de configurar a "detenção ilegal de ativistas pacíficos".

A Flotilha Global Sumud, composta por cerca de 50 embarcações, informou que aproximadamente 443 voluntários de 47 países foram capturados pelas forças de Israel. O grupo tinha como objetivo entregar ajuda humanitária, como alimentos e medicamentos, à população palestina na Faixa de Gaza.

Entre os brasileiros detidos estão o ativista Thiago de Ávila e Silva Oliveira, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e a vereadora de Campinas, Mariana Conti (PSOL-SP). A lista de capturados inclui ainda Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle Da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri e Lucas Farias Gusmão.

O Itamaraty defendeu que "operações de caráter estritamente humanitário devem ser autorizadas e facilitadas por todas as partes em conflito, não podendo ser arbitrariamente obstadas ou consideradas ilícitas". O governo brasileiro também instou a comunidade internacional a pressionar pelo fim do bloqueio a Gaza, classificado como uma "grave violação ao direito internacional humanitário".

Na nota, o Brasil responsabiliza Israel pela integridade dos ativistas. O governo israelense "deverá ser responsabilizado por quaisquer atos ilegais e violentos cometidos contra a Flotilha e contra os ativistas pacíficos que dela participam e deverá assegurar sua segurança, o bem-estar e integridade física enquanto permanecerem sob a custódia de autoridades israelenses".

A interceptação ocorreu na noite de quarta-feira (1º), quando a organização da flotilha informou, através de redes sociais, que estava sofrendo agressões e sendo abordada ilegalmente em águas internacionais.

A ação gerou forte condenação internacional. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, se manifestou sobre os seis cidadãos mexicanos detidos, afirmando que eles "têm que ser entregues de imediato porque não cometeram nenhum delito". Segundo relatos, os ativistas foram levados para o centro de detenção de Ketziot, próximo à fronteira com o Egito.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel, por sua vez, informou que "todos os passageiros estão seguros e em boas condições de saúde" e que "estão chegando em segurança a Israel, de onde serão deportados para a Europa".

A jornada da flotilha, que partiu de Barcelona, na Espanha, em 31 de agosto, foi marcada por diversos desafios, incluindo condições climáticas adversas, problemas mecânicos e ataques com drones antes da interceptação final.

Conforme a Convenção de Viena sobre Relações Consulares, a Embaixada do Brasil em Tel Aviv está mobilizada e prestando toda a assistência cabível aos cidadãos brasileiros, enquanto a comunidade internacional acompanha o desenrolar da crise.



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