NOTICIÁRIO Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2026, 08:57 - A | A

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Caso Raquel Cattani: acompanhe as atualizações do Tribunal do Júri em Nova Mutum

Mauro Camargo

Caso Raquel Cattani: acompanhe as atualizações do Tribunal do Júri em Nova Mutum

O Tribunal do Júri que julgará Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pela morte da produtora rural Raquel Cattani, está em andamento nesta quinta-feira (22), desde às 8h, no plenário do Fórum da Comarca de Nova Mutum.

O julgamento é presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara da Comarca, e seguirá o rito previsto no Código de Processo Penal, com a atuação do Ministério Público, das defesas, depoimentos das testemunhas e, por fim, sairá a decisão do Conselho de Sentença, formado por sete jurados.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Raquel Cattani foi assassinada a facadas na própria residência, na zona rural de Nova Mutum, no dia 18 de julho de 2024. Rodrigo é acusado de executar o crime, enquanto Romero, ex-marido da vítima, responde como autor intelectual.

A cobertura jornalística está sendo realizada exclusivamente pela Assessoria de Imprensa do TJMT, que disponibiliza textos, fotos e vídeos no portal oficial do Tribunal e nos canais institucionais.

Acompanhe as atualizações do julgamento:

08h21 – Teve início a sessão do Tribunal do Júri, com a leitura do termo de apregoamento.

São levados a julgamento os réus Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, denunciados pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso, representado pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes.

Os acusados respondem pela morte de Raquel Maziero Cattani. A defesa é realizada pela Defensoria Pública do Estado, com atuação do defensor Guilherme Ribeiro Rigon em favor de Rodrigo Xavier Mengarde e do defensor Mauro Cezar Duarte Filho em favor de Romero Xavier Mengarde.

A sessão é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski.

08h26 – Foi realizado o sorteio dos jurados que irão compor o Conselho de Sentença. O colegiado é formado por sete jurados, sendo dois homens e cinco mulheres.

08h37 – A juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski orientou os jurados sobre o funcionamento do Tribunal do Júri.

Durante as instruções, a magistrada explicou as regras do julgamento, destacou a incomunicabilidade dos jurados, que não podem se comunicar entre si nem com pessoas externas ao plenário, e pediu que evitem qualquer manifestação de concordância ou discordância durante os debates.

A juíza também orientou que os jurados mantenham atenção integral às falas das partes e preservem o sigilo da votação, que é individual e secreta. Em caso de necessidade, eventuais comunicações externas devem ser intermediadas pela equipe do Fórum.

A magistrada ressaltou ainda que se trata de um julgamento sensível, envolvendo vida e liberdade, e solicitou serenidade e imparcialidade para garantir a regularidade dos trabalhos.

TJMT

Gilberto Cattani

 Foto de Alair Ribeiro/TJMT

O deputado estadual Gilberto Cattani, pai de Raquel, acompanha o julgamento.

08h49 – Teve início a oitiva da primeira testemunha, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, responsável pela condução das investigações sobre a morte de Raquel Cattani.

O delegado informou que, assim que a Polícia Civil tomou conhecimento da suspeita de feminicídio, as equipes foram imediatamente mobilizadas. Ele relatou que se deslocou da cidade de Tapurah (MT), enquanto outras equipes seguiram para o local do crime, no Assentamento Pontal do Marape, adotando estratégia de atuação simultânea.

Segundo o depoimento, o réu Romero Xavier Mengarde se apresentou espontaneamente às autoridades após ser informado dos fatos. O delegado afirmou que orientou a equipe a realizar o interrogatório inicial do réu para esclarecer sua rotina e deslocamentos no período do crime.

Durante a investigação, foi apurado que Romero teria passado por três casas de prostituição e permanecido na companhia de funcionários desses locais. Ainda conforme o delegado, imagens de câmeras registraram o veículo do réu saindo de Tapurah em direção ao Pontal do Marape, onde o crime ocorreu.

Ao chegar ao local dos fatos, o delegado relatou que havia diversas autoridades presentes, mas que a cena estava devidamente preservada. Ele destacou que, inicialmente, a investigação apontava o ex-marido da vítima como principal suspeito, o que motivou a divisão estratégica das equipes entre Tapurah e o local do crime.

08h53 – O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri detalhou pontos que chamaram a atenção da equipe policial durante a análise da cena do crime.

Segundo o depoimento, foram identificados sinais de arrombamento, especialmente em uma janela nos fundos da residência, localizada na área dos quartos das crianças, que estava amassada, indicando o ponto de entrada do autor.

Outro elemento relevante foi uma televisão encontrada do lado de fora da casa, com marca evidente de bota, o que reforçou a hipótese de invasão. No interior da residência, Raquel Cattani foi encontrada caída no chão, entre o banheiro e o quarto do casal.

O delegado relatou que a vítima apresentava diversas lesões de defesa, principalmente nos braços e antebraços, com perfurações provocadas por faca.

Também chamou a atenção da equipe o fato de apenas o quarto da vítima ter sido revirado. Conforme explicou o delegado, esse detalhe posteriormente passou a indicar uma possível tentativa de forjar a cena do crime, já que outras bolsas não estavam mexidas, caixas permaneciam fechadas e não havia sinais de busca generalizada por objetos.

Por fim, foi observado que o autor circulou descalço dentro da residência, o que ficou evidenciado pelas marcas de sangue no chão.

09h00 – Em depoimento, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri afirmou que, ao longo das apurações iniciais, a Polícia Civil percebeu que Romero Xavier Mengarde não seria o autor direto do crime, após ele apresentar um álibi detalhado e consistente sobre seus deslocamentos no dia e horário do homicídio.

Segundo o delegado, a equipe passou a analisar provas técnicas e digitais, como vestígios deixados no local, indícios relacionados ao uso de internet e possíveis acessos a redes wi-fi, além de outros elementos periciais coletados na residência da vítima.

Com o avanço das investigações, ele conta que o que chamou a atenção da equipe foi o fato de que Romero teria construído cuidadosamente um álibi, o que afastou a hipótese de que ele estivesse presente no local do crime no momento da execução. A partir disso, a investigação passou a buscar quem teria motivação para cometer o homicídio e de que forma o crime foi praticado.

O delegado relatou ainda que, após saturar toda a região, a Polícia Civil realizou um trabalho extenso de campo, com a entrevista de cerca de 155 pessoas, incluindo trabalhadores e moradores, para esclarecer os fatos e identificar possíveis envolvidos.

09h12 – O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri afirmou que, segundo as investigações, Rodrigo Xavier Mengarde ficou à espreita de Raquel Cattani dentro da residência antes do crime. Ele destacou que o próprio réu confessou em interrogatório que aguardou a chegada da vítima.

De acordo com o delegado, Rodrigo relatou que Raquel percebeu a presença dele pelo forte cheiro. Ainda segundo a confissão, o réu já estava no interior da casa, tendo acessado parte dos cômodos, inclusive o banheiro, após arrombar uma janela e pular para dentro do quarto, onde ficou escondido.

O delegado explicou que, quando Raquel entrou na residência, Rodrigo já estava no local. Ao sentir o odor estranho, a vítima passou a procurar a origem do cheiro, falando em voz alta. Quando ela se dirigiu ao quarto para verificar, Rodrigo a surpreendeu e desferiu diversos golpes de faca.

Após o crime, segundo o depoimento, o réu forjou a cena, revirando apenas o quarto da vítima, deixando uma televisão do lado de fora da casa e, em seguida, fugiu com a motocicleta.

Alair Ribeiro/TJMT

Delegado

Guilherme Pompeo Pimenta Negri, delegado que conduziu as investigações

09h20 - Outro ponto destacado pelo delegado foi a prova técnica relacionada às ERBs (Estações Rádio-Base), que são as torres de telefonia celular. A análise do sinal do celular de Rodrigo demonstrou toda a circulação do réu, desde a chegada ao local do crime até a fuga, corroborando a confissão.

Ainda conforme o delegado, imagens e registros de deslocamento mostram Rodrigo deixando o local em alta velocidade, usando uma camiseta rosa, e seguindo por diversas cidades da região. O trajeto foi parcialmente reconstruído a partir de dados telefônicos, imagens de câmeras e registros de passagem, inclusive com tentativas do réu de dificultar a identificação, como a ocultação da placa da motocicleta.

O delegado afirmou que a soma da confissão, das provas técnicas e do rastreamento do celular permitiu reconstruir a dinâmica do crime e da fuga, reforçando a presença de Rodrigo na cena do homicídio.

09h24 – O Ministério Público iniciou a oitiva da testemunha, com questionamentos feitos pelo promotor de Justiça João Marcos de Paula Alves.

Durante as respostas, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri relatou sua percepção sobre o comportamento do réu Romero Xavier Mengarde ao longo das investigações. Segundo ele, chamou atenção o fato de Romero se mostrar astuto, calculista e frio.

O delegado afirmou que Romero demonstrava um comportamento melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, observando constantemente o interlocutor. Para ele, tratava-se de uma pessoa “esperta” e “malandra”.

Outro ponto destacado foi a ausência de reação emocional. O delegado disse que, na sua avaliação, alguém envolvido em um crime contra a mãe de seus filhos, ainda que não fosse o autor direto, normalmente apresentaria sinais de tristeza, abalo ou inconformismo. No entanto, segundo o relato, Romero não demonstrou qualquer emoção, nem tristeza nem felicidade, o que chamou a atenção da equipe durante a investigação.

09h42 – O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri relatou que a investigação identificou comportamentos de perseguição e controle atribuídos a Romero Xavier Mengarde em relação à vítima Raquel Cattani, anteriores ao crime.

Segundo o delegado, testemunhas relataram que Raquel teria sido surpreendida pela presença de Romero poucas semanas antes do homicídio, no sítio dos pais da vítima, local onde ele não residia. Conforme os relatos, Romero apareceu de forma inesperada, à noite, o que teria causado choque e medo em Raquel.

O delegado afirmou que essas informações foram confirmadas por pessoas próximas, incluindo familiares e amigas da vítima, que descreveram um comportamento obsessivo, marcado por tentativas de controle, vigilância e interesse constante sobre onde Raquel estava e com quem se relacionava.

Ainda conforme o depoimento, embora não haja registro de agressões físicas, as testemunhas apontaram que Raquel teria vivido por anos sob pressão psicológica, sendo tratada de forma desrespeitosa e agressiva. O delegado classificou esse histórico como tortura psicológica, destacando que esse tipo de conduta também gera sofrimento intenso à vítima e reflexos negativos aos filhos.

09h44 – Em resposta a questionamentos da promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri comentou depoimentos de testemunhas próximas à vítima, entre elas uma vizinha e confidente de Raquel Cattani, moradora do Pontal do Maracanha, onde a vítima residia.

Segundo o delegado, essa testemunha demonstrou convicção imediata ao apontar Romero Xavier Mengarde como responsável pelo crime, chegando inclusive a xingá-lo, o que chamou a atenção da equipe pela prontidão da acusação. 

09h46 – Durante a oitiva, a promotora questionou o delegado sobre o relato da testemunha, que afirmou ter ouvido da própria Raquel, dias antes do crime, a seguinte frase: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar.”

O delegado confirmou que esse relato consta nos autos e afirmou que, na avaliação da investigação, Raquel demonstrava pressentimento e medo, diante do histórico de conflitos e do comportamento de Romero. Segundo ele, esses depoimentos ajudaram a contextualizar o estado emocional da vítima e reforçaram a linha de investigação sobre perseguição, controle e violência psicológica sofrida por Raquel antes do crime.

09h49 – Em resposta a questionamentos da promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes, o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri afirmou que o crime teria sido praticado em aproximadamente 15 minutos.

Segundo o delegado, o horário do homicídio foi definido a partir do cruzamento de diversas informações, como imagens de câmeras, registros de deslocamento, mensagens trocadas pela vítima com um amigo e dados telefônicos. Ele explicou que a investigação funcionou como um “quebra-cabeça”, no qual cada elemento ajudou a delimitar o intervalo de tempo do crime.

De acordo com o depoimento, Raquel enviou uma mensagem informando que havia chegado em casa. Poucos minutos depois, houve apenas uma resposta curta, o que, segundo a apuração, indicaria que o celular já havia sido subtraído. A partir disso, a polícia conseguiu delimitar um intervalo muito curto, estimado em cerca de 10 a 15 minutos, em que o crime ocorreu.

09h52 – Ainda durante a oitiva, o delegado confirmou que Romero Xavier Mengarde tinha conhecimento de que Raquel viajaria no dia seguinte para participar de uma feira do setor de queijos, em razão de seu reconhecimento como produtora rural. Segundo ele, familiares e pessoas próximas sabiam da viagem, e Romero também tinha essa informação.

Na avaliação do delegado, o fato de Raquel estar sozinha naquela noite e prestes a viajar pode ter representado uma “janela de oportunidade”, contribuindo para a motivação do crime, diante da dificuldade de Romero em aceitar o fim do relacionamento.

09h55 – A defesa de Rodrigo Xavier Mengarde, representada pelo defensor Guilherme Ribeiro Rigon, passou a questionar o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri.

O defensor perguntou se havia sido encontrada alguma prova no celular de Rodrigo. Em resposta, o delegado explicou que foi realizada quebra de sigilo e extração de dados dos aparelhos de ambos os réus, mas que a conversa mais relevante, mencionada anteriormente na investigação, foi localizada apenas no celular de Romero.

Segundo o delegado, há registros de conversas entre os irmãos nos dois aparelhos, porém um trecho específico, que indica preparação e deslocamento, não aparece no celular de Rodrigo. Ele esclareceu que essa diferença pode ocorrer por questões técnicas na extração de dados, não sabendo informar exatamente o motivo da ausência, mesmo após novas tentativas de recuperação.

 

Alair Ribeiro/ALMT

Réus do caso Raquel Cattani

Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pela morte da produtora rural Raquel Cattani

09h59 – A defesa de Romero Xavier Mengarde passou a questionar o delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri sobre aspectos técnicos relacionados ao uso de redes wi-fi e dados de internet.

Em resposta, o delegado explicou que o endereço IP identificado na investigação pode ser compartilhado por várias pessoas, pois está vinculado à localidade e à rede, e não a um único usuário. Segundo ele, no caso analisado, o IP estava relacionado à rede da residência de Raquel, utilizada após o crime.

10h05 – A sessão do Tribunal do Júri foi suspensa para intervalo.

10h22 – A sessão foi retomada com o depoimento do delegado Edmundo Félix de Barros Filho, que também atuou nas investigações do caso.

Ao assumir o compromisso legal de dizer a verdade, o delegado relatou que, na manhã de 19 de julho, foi informado sobre a ocorrência de um óbito e, em seguida, da identificação da vítima como Raquel Cattani, o que motivou o deslocamento imediato da equipe policial até o local do crime, no Pontal do Marape, área de difícil acesso.

Segundo o delegado, o local já estava preservado quando a equipe chegou. A partir disso, foram iniciados os procedimentos de perícia, com acompanhamento dos peritos criminais, para a coleta dos primeiros vestígios considerados relevantes para a investigação.

10h30 – O delegado Edmundo Félix de Barros Filho afirmou que, durante a oitiva de familiares, amigos e pessoas que conviviam com Raquel Cattani, todos relataram um histórico de violência doméstica sofrida pela vítima, embora não houvesse registros formais de boletins de ocorrência, situação que, segundo ele, é comum, especialmente em casos de violência psicológica.

De acordo com o delegado, os depoimentos apontaram episódios de xingamentos, tratamento pejorativo e humilhações, inclusive relacionadas a um problema auditivo de Raquel, que possuía perda parcial da audição. Segundo as testemunhas, Romero fazia chacotas em razão dessa condição.

10h32 – Ainda conforme os relatos, o comportamento do réu incluía crises de fúria, descontrole emocional e pressões psicológicas constantes. Testemunhas também mencionaram episódios em que Romero teria ingerido medicamentos com intenção suicida, utilizando essas situações como forma de manipulação emocional para manter o relacionamento.

O delegado explicou que os depoimentos revelaram a presença do chamado “ciclo da violência”, caracterizado por períodos de aparente tranquilidade e cuidado — a chamada “lua de mel” — seguidos por momentos de agressividade, ofensas e violência psicológica. Quando percebia a possibilidade de separação, o comportamento voltava temporariamente a ser afetuoso.

10h38 – O delegado Edmundo Félix de Barros Filho afirmou que, com o avanço das investigações, ficou definido que Rodrigo Xavier Mengarde foi o executor do crime. Segundo ele, a identificação ocorreu a partir das diligências realizadas após a localização da motocicleta da vítima, o que, na avaliação da polícia, afastou a possibilidade de participação de terceiros na execução.

O delegado explicou que, a partir desse ponto, não havia outra pessoa com motivação e condições de arquitetar o crime, senão Romero Xavier Mengarde, apontado como autor intelectual.

10h40 – O delegado destacou que Rodrigo possuía antecedentes criminais, mas relacionados a delitos de menor potencial ofensivo, como furtos e danos, sem histórico de crimes violentos ou contra a vida.

Ele explica que pessoas que cometem crimes patrimoniais costumam seguir um modus operandi específico, e uma escalada direta para um crime de homicídio ou latrocínio não seria compatível com o histórico de Rodrigo. Um dos poucos objetos subtraídos da residência da vítima foi um perfume, elemento que também chamou a atenção da investigação.

O delegado relatou ainda que, com autorização da moradora e esposa de Rodrigo, a equipe policial realizou diligências na residência, onde foram encontrados elementos que reforçaram a ligação do réu com o crime. A partir dessas informações, Rodrigo passou a apresentar versões contraditórias, mas acabou indicando o paradeiro da motocicleta, que foi localizada posteriormente.

10h49 – O delegado Edmundo Félix de Barros Filho afirmou que, além da promessa de pagamento, a investigação identificou outro elemento relevante para a motivação do crime: o resgate do convívio e do prestígio familiar de Rodrigo Xavier Mengarde junto ao irmão Romero.

Segundo o delegado, os irmãos não mantinham convivência próxima, mas houve uma reaproximação repentina nos dias que antecederam o crime. A mãe deles relatou que Rodrigo chegou a comentar que estava feliz com a visita do irmão, fato incomum até então.

10h50 – Ainda de acordo com o depoimento, mensagens e diálogos levantados na investigação indicam planejamento prévio, com questionamentos como “que horas nós vamos sair amanhã?” e referências a roupas já separadas, comportamento que, segundo o delegado, não é compatível com uma saída comum ou trabalho pontual.

Imagens de câmeras de segurança de Lucas do Rio Verde também ajudaram a reconstruir o trajeto. O delegado explicou que Rodrigo seguiu por uma rota incompatível com um deslocamento direto ao Pontal do Marape, o que indicaria que ele passou antes para buscar Romero.

10h51 – Em resposta a questionamentos do Ministério Público, o delegado Edmundo Félix de Barros Filho explicou aspectos logísticos do deslocamento até o Pontal do Marape, detalhando tempos médios de viagem entre a localidade e cidades da região. Segundo ele, o trajeto até o Pontal leva, em média, cerca de uma hora a uma hora e meia, dependendo da estrada utilizada. Para São José do Rio Claro, o deslocamento é de aproximadamente 45 minutos, e para Lucas do Rio Verde, em torno de uma hora, variando conforme a rota.

10h53 – O delegado esclareceu questões técnicas sobre a conexão de internet no Pontal do Marape, informando que a comunidade conta com apenas um provedor de internet, que opera por meio de IP compartilhado (IPv4). Não há estações rádio-base (antenas de telefonia celular) na localidade, o que impede conexões por sinal móvel. Assim, moradores dependem exclusivamente de internet via provedor local para comunicação, inclusive por aplicativos.

10h54 – Segundo o delegado, os dados técnicos demonstraram que Rodrigo Xavier Mengarde não possuía vínculos, rotina ou conexões que o levassem ao Pontal do Marape, tampouco histórico de frequentar a região. Ele afirmou que Rodrigo e Raquel Cattani não mantinham qualquer convívio ou conflito, inexistindo motivo pessoal para que Rodrigo cometesse o crime por iniciativa própria.

O delegado reforçou que os irmãos Romero e Rodrigo passaram anos sem manter contato, conforme relatos da mãe. A reaproximação ocorreu de forma repentina, pouco antes do crime, o que, segundo a investigação, foi um elemento relevante para a compreensão da dinâmica dos fatos.

10h55 –  Conforme o depoimento, a análise das conexões de internet indicou acesso ao IP do provedor que opera exclusivamente no Pontal do Marape, reforçando a presença do executor no local no período do crime.

Ao final, o delegado foi categórico ao afirmar que não foi identificado nenhum motivo autônomo para Rodrigo matar Raquel, destacando que ele não tinha relação com a vítima e que a execução ocorreu a mando de Romero, conforme apurado na investigação.

10h56 – A promotora de Justiça Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes questionou o delegado Edmundo Félix de Barros Filho sobre a veracidade dos relatos prestados pela vizinha, moradora próxima da vítima.

O delegado confirmou que a vizinha relatou de forma fiel as situações que presenciou. Segundo ele, a testemunha é mãe da melhor amiga de Raquel, e afirmou já ter presenciado a vítima sendo xingada por Romero, além de um episódio em que o réu teria apontado uma arma para o rosto de Raquel.

10h57 – O delegado acrescentou que outra amiga da vítima, além da mãe da melhor amiga, também trouxe informações semelhantes à investigação. Conforme o relato, essa amiga ouviu de Raquel a frase: “Um dia, o Romero ainda vai me matar”, o que reforçou a percepção de medo e pressentimento da vítima.

Retomando o dia em que Raquel foi encontrada morta, em 19 de julho, o delegado lembrou que, ao chegar ao local do crime, a vizinha já apontava Romero como responsável, demonstrando convicção desde os primeiros momentos. Ele explicou que, embora a testemunha estivesse abalada emocionalmente, suas informações se mostraram coerentes com os elementos apurados ao longo da investigação.

10h58 – O delegado Edmundo Félix de Barros Filho detalhou o depoimento de uma amiga de Raquel Cattani, que residia em Lucas do Rio Verde.

Segundo o delegado, a amiga relatou, em uma ocasião em que saiu com Raquel, Romero teria descido do veículo, momento em que Raquel abriu o porta-luvas e mostrou uma arma, afirmando que o companheiro estava armado. Conforme o relato, Romero estaria embriagado naquele dia.

O delegado afirmou que Raquel confidenciou a amiga o medo que sentia e chegou a dizer a frase: “Um dia, o Romero ainda vai me matar”, informação que foi formalmente registrada em depoimento.

De acordo com o delegado, embora Raquel tivesse um círculo restrito de amizades, essas amigas próximas relataram de forma consistente episódios de medo, ameaças e violência, o que contribuiu para reforçar o histórico de violência doméstica identificado ao longo da investigação.



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