NOTICIÁRIO Terça-feira, 27 de Janeiro de 2026, 10:32 - A | A

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NOVA SUSPEITA

Chico 2000 cai pela terceira vez acusado de corrupção

Da Redação

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (27) a Operação Gorjeta, que resultou no afastamento do vereador Chico 2000 (PL) de suas funções. A investigação apura crimes de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, com foco em um esquema de desvio de recursos públicos que teria prejudicado a Câmara Municipal de Cuiabá e a Secretaria Municipal de Esportes.

A operação, conduzida pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), cumpriu 75 ordens judiciais expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 de Cuiabá. Entre elas, 12 mandados de busca e apreensão, 12 ordens de acesso a dados em dispositivos móveis e medidas cautelares contra investigados. O esquema investigado teria funcionado da seguinte forma: emendas parlamentares destinadas por Chico 2000 seriam direcionadas a um instituto sem fins lucrativos e a empresas privadas, que posteriormente "devolveriam" parte dos recursos ao vereador — configurando um ciclo de lavagem de dinheiro e apropriação indébita.

Entre os alvos estão o chefe de gabinete do vereador, Rubens Vuolo Junior; a assessora parlamentar do vereador Mário Nadaf (PV), Joacyr Conceição Silva; o empresário João Nery Chiroli, dono da Chiroli Uniformes; e Alex Jones Silva, presidente do Instituto Brasil Central (Ibrace). A Justiça determinou o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 em contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis.

As medidas cautelares impostas são severas. Investigados foram proibidos de manter contato entre si e com testemunhas, de acessar as dependências da Câmara Municipal e da Secretaria de Esportes, de deixar a comarca e de sair do país — com entrega obrigatória de passaportes. O Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá foram proibidos de contratar ou nomear qualquer dos investigados. O instituto teve suas atividades suspensas, e o município fica impedido de realizar contratações ou pagamentos às empresas envolvidas. A Controladoria-Geral do Município foi determinada a realizar auditorias em todos os termos de parceria firmados com a Prefeitura.

Este é o terceiro episódio em que Chico 2000 enfrenta investigação criminal em menos de um ano. Em abril de 2025, foi alvo da Operação Perfídia, que o acusou de receber propina da empreiteira HB20 em troca da aprovação de proposta sobre parcelamento de dívidas tributárias. A investigação apontou que R$ 250 mil teriam sido pagos ao vereador e ao Sargento Joelson (PSB) para que aprovassem a medida. Elementos da investigação incluíram depoimentos, mensagens por aplicativos e transferências bancárias, inclusive via Pix. Ambos negaram veementemente as acusações. Em setembro, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso concedeu habeas corpus e autorizou o retorno dos vereadores à Câmara.

Em junho de 2025, Chico 2000 foi alvo da Operação Rescaldo, deflagrada pela Polícia Federal para apurar crimes eleitorais durante o pleito de 2024. A investigação apontava que o vereador teria abordado eleitores apoiadores de outro candidato da mesma legenda, oferecendo vantagens indevidas em troca de votos. Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Chico 2000 nega as acusações, como fez nas operações anteriores. Mas o acúmulo de investigações, a quantidade de ordens judiciais e a estrutura do esquema apontado sugerem que desta vez o vereador enfrenta um cenário muito mais grave.

 

 

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Vereador Chico 2000 é afastado em nova operação que apura desvio de emendas parlamentares em Cuiabá; é a terceira investigação em menos de um ano.

 

 

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