NOTICIÁRIO Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2026, 09:42 - A | A

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CASA DOS HORRORES (DE VOLTA)

Dra. Mara defende comissão sem poder de investigação em meio à crise do assédio

Da Redação

Em meio à tempestade política que atinge a Câmara Municipal de Cuiabá após o bloqueio da "CPI do Assédio", a vereadora Dra. Mara (Podemos) defendeu, em entrevista nesta quarta-feira (11), a criação de uma Comissão Especial sem poderes investigativos como resposta do Legislativo ao escândalo envolvendo o ex-secretário William Moraes. A parlamentar negou que a apresentação simultânea de cinco outros pedidos de CPI pela base governista tenha sido uma manobra para proteger a gestão de Abilio Brunini (PL).

Entrevistada pelos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo no Jornal da Cultura, Dra. Mara tentou justificar sua assinatura em pedidos de investigação sobre temas já pacificados, como o cumprimento do piso da educação na gestão anterior, enquanto a denúncia grave de assédio sexual e corrupção na atual administração ficou de fora da pauta prioritária.

"Não houve manobra. As CPIs já estavam no sistema", argumentou a vereadora, contradizendo o fato de que as assinaturas que viabilizaram a "fila" de investigações foram coletadas às pressas na última segunda-feira, logo após o escândalo vir à tona.

Comissão "Sem Dentes" e Confiança no Prefeito

Questionada incisivamente sobre a eficácia de uma Comissão Especial — que, diferentemente de uma CPI, não possui poder de polícia, não pode quebrar sigilos bancários ou telefônicos e nem convocar testemunhas obrigatoriamente —, Dra. Mara minimizou as limitações. "Você pode acompanhar as investigações, oportunizar as vítimas de falar. Se o suspeito for culpado, ele vai ser preso, independente de ser uma comissão ou não", afirmou, transferindo a responsabilidade da punição integralmente para a Polícia Civil e o Ministério Público.

A vereadora também reforçou sua lealdade à base do prefeito Abilio Brunini, a quem descreveu como "perplexo" com o caso. "Eu estaria na base de qualquer um que ganhasse, seja Abilio, Botelho ou Lúdio. É na base que você consegue levar coisas para o seu bairro", declarou, numa admissão franca de pragmatismo político que gerou reações imediatas dos ouvintes.

A "Bancada das Mulheres" sob Fogo

Um dos momentos mais tensos da entrevista ocorreu quando os jornalistas confrontaram a vereadora com a frustração popular diante da postura da bancada feminina e da Mesa Diretora, composta 100% por mulheres. Ouvintes enviaram mensagens classificando a atuação das parlamentares como "vergonhosa" e "decepção".

Dra. Mara reagiu alegando que as vereadoras estão sendo "massacradas" injustamente por uma imprensa e população "desconhecedoras" do trabalho legislativo. Ela citou números de indicações de obras (tapa-buracos, faixas de pedestre) como prova da produtividade feminina, mas foi rebatida pelos entrevistadores: "Quando o assunto é de relevância na perspectiva de gênero, a Câmara deixa a desejar".

Sobre a denúncia de corrupção envolvendo a empresa MT Pres e repasses financeiros suspeitos à vítima de assédio, a vereadora admitiu que a Comissão Especial não terá ferramentas para investigar o caminho do dinheiro ("Siga o dinheiro"), mas insistiu que confiará nos órgãos externos de controle.

 



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