NOTICIÁRIO Segunda-feira, 16 de Março de 2026, 15:29 - A | A

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MUDANÇA NA PENALIDADE

Flávio Dino decide que aposentadoria compulsória não pode mais ser punição para juízes no Brasil

Da Redação com Abr

Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, pode mudar de forma significativa a forma como magistrados são punidos no Brasil. Em liminar assinada nesta segunda-feira (16), o ministro determinou que a aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como punição disciplinar a juízes.

A decisão, que ainda será analisada pelo plenário do STF, estabelece que infrações graves cometidas por magistrados devem resultar na perda do cargo, e não em aposentadoria remunerada.

Segundo Dino, a mudança decorre da interpretação da Emenda Constitucional nº 103, conhecida como Reforma da Previdência de 2019, que alterou as regras de aposentadoria no serviço público. De acordo com o ministro, após a reforma, a aposentadoria deve estar vinculada apenas a critérios como idade ou tempo de contribuição, o que tornaria inconstitucional utilizá-la como forma de punição administrativa.

“Não existe mais aposentadoria compulsória como ‘punição’ a magistrados”, afirmou o ministro na decisão, defendendo que irregularidades graves no exercício da função pública sejam punidas com o desligamento definitivo do cargo.

Caso que motivou decisão

A liminar foi concedida após um processo envolvendo um magistrado punido pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. O juiz havia recebido a pena de aposentadoria compulsória por irregularidades no exercício da função, como a liberação de bens bloqueados sem parecer do Ministério Público e a demora deliberada em processos.

De acordo com as investigações, essa conduta teria beneficiado policiais militares ligados a milícias.

A punição havia sido confirmada pelo Conselho Nacional de Justiça. No entanto, com a decisão do STF, o CNJ deverá reavaliar o caso. Caso entenda que a punição máxima é necessária, o órgão deverá comunicar o tribunal estadual para que o magistrado seja desligado definitivamente da magistratura.

Possível impacto no Judiciário

Além de decidir sobre o caso específico, Dino determinou o envio de ofício ao presidente do CNJ, o ministro Edson Fachin, para que seja avaliada uma revisão do sistema disciplinar do Poder Judiciário.

Se a decisão for confirmada pelo plenário do STF, o entendimento pode alterar o padrão de punições aplicadas a magistrados em todo o país, substituindo a aposentadoria compulsória — muitas vezes criticada por garantir salário integral — pela perda definitiva do cargo.

A decisão ainda não tem data para julgamento pelo colegiado do STF.



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