O Governo de Mato Grosso decidiu agir para colocar um ponto final na insegurança jurídica que pairava sobre o Hospital Estadual Santa Casa. Nesta quarta-feira (11), o Estado formalizou uma proposta de compra do prédio histórico por R$ 25 milhões, em parcela única. O objetivo central é evitar o desmonte de serviços vitais que não poderiam ser transferidos para outras unidades: a oncologia (tratamento de câncer) e a nefrologia (tratamento renal). As informações são de Luiza Goulart e Ana Lazarini (SES-MT)
A proposta será analisada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT), responsável pelo leilão do imóvel devido a dívidas trabalhistas da antiga gestão filantrópica. Se aceita, o valor somado aos recursos já investidos pelo Estado desde a requisição administrativa em 2019 totalizará cerca de R$ 60 milhões para a aquisição definitiva do patrimônio.
Uma Nova Vocação para a Santa Casa
Mais do que apenas manter as portas abertas — algo que o Estado já garantiu quando a antiga gestão da Prefeitura de Cuiabá deixou o hospital colapsar em 2019 —, o plano do Governo Mauro Mendes é reestruturar o perfil assistencial da unidade.
Segundo o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, cerca de 70% dos atendimentos atuais serão migrados para outros hospitais da rede estadual. A Santa Casa, então, se especializará em alta complexidade e cuidados continuados.
O "Plano Operativo" da SES-MT divide o futuro do hospital em seis eixos estratégicos: Home Care e Desospitalização: Integração com atendimento domiciliar; Cuidados Paliativos: Unidade especializada para pacientes sem possibilidade de cura terapêutica; Central de Diagnósticos: Modernização de exames; Ampliação da Oncologia e Nefrologia: Serviços que são o "coração" da unidade; Hospital Dia e Cirurgia Geral: Foco em procedimentos rápidos; Serviço de Verificação de Óbito (SVO).
No total, a estrutura contará com 196 leitos, incluindo 30 de UTI, 40 de cuidados paliativos e 70 dedicados ao suporte de home care.
Cronograma e Apoio do MP
A transição não será imediata. O cronograma da SES prevê que, entre maio e julho de 2026, sejam mantidos e ajustados os atendimentos atuais de câncer e rins. A partir de agosto deste ano, começa a implantação do Hospital Dia. A fase final, com a Central de Diagnósticos e o SVO, deve ser concluída até março de 2027.
A manobra do Governo recebeu aval positivo do Ministério Público. O promotor de Justiça Milton Mattos, que atua na defesa da saúde, classificou a saída como técnica e inteligente. "É uma solução interessante porque resolve vários problemas que acompanhamos. O custo de manter a Santa Casa aberta será parcialmente absorvido pelo serviço de home care, gerando economia e eficiência, além de preservar o patrimônio histórico", avaliou o promotor.
A compra definitiva marca o capítulo final de uma crise iniciada na gestão municipal anterior, consolidando a estadualização de uma das unidades de saúde mais tradicionais da capital.





