Mato Grosso vive um ciclo inédito de pavimentação que altera o mapa interno do Estado e corrige dívidas históricas com regiões inteiras que esperaram décadas por um trecho de asfalto. A meta anunciada pela Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) é ousada: até o fim de 2026, alcançar 7 mil quilômetros de pavimentação concluída. O volume, distribuído por todas as regiões, revela não apenas um esforço de obras, mas uma tentativa de reorganizar fluxos econômicos, encurtar distâncias e conectar municípios que por anos ficaram isolados.
A região de Sinop, eixo da produção agrícola mato-grossense e uma das áreas mais dinâmicas do país, recebeu 1.128,57 quilômetros de novas rodovias pavimentadas. Entre as entregas está a MT‑422, rota que liga Santa Carmem a União do Sul e cria uma alternativa mais eficiente para quem precisa chegar à BR‑163. É um trecho que reorganiza a lógica do transporte de cargas e de pessoas num território onde o tempo de deslocamento pesa diretamente no custo da produção.
Na Baixada Cuiabana, a Sinfra pavimentou 671 quilômetros, impactando municípios como Santo Antônio do Leverger e seus distritos. A nova ligação pela Agrovila das Palmeiras cria um acesso direto à BR‑163, diminuindo a dependência de rotas sobrecarregadas e reduzindo a vulnerabilidade logística de comunidades tradicionais que sempre estiveram às margens da malha principal.
Há entregas que carregam o simbolismo de uma novela longa demais. A MT‑100, cuja pavimentação entre Alto Araguaia e Barra do Garças foi prometida ainda no início dos anos 1990, só saiu definitivamente do papel em 2022. A região do Araguaia recebeu 590 quilômetros de asfalto novo, um marco para um território historicamente esquecido e que tenta, há décadas, consolidar-se como corredor de integração regional.
Rondonópolis também aparece no mapa das correções tardias. Três rodovias aguardadas por mais de dez anos finalmente foram asfaltadas — 100 quilômetros ligando comunidades como Naboreiro, Miau e o Assentamento Carimã. A região sul, no total, recebeu 365 quilômetros de novas pavimentações, melhorando a segurança das viagens e ampliando o alcance econômico das comunidades rurais.
O secretário de Infraestrutura, Marcelo de Oliveira, avalia que o pacote de obras representa um salto de mobilidade para o Estado. Ele afirma que “até o fim do ano o governo vai chegar a 7 mil quilômetros de asfalto novo”, destacando que as melhorias significam menos risco, mais acesso e rotas mais eficientes num território de dimensões continentais.
Em áreas remotas, a pavimentação não é apenas obra — é inserção. A MT‑206 levou asfalto até Apiacás, no extremo norte de Mato Grosso, conectando o município de forma definitiva ao resto do Estado. Na região central, a pavimentação da MT‑129 garantiu a chegada plena do asfalto a Gaúcha do Norte, cidade que dependia de longos trechos de terra batida para qualquer deslocamento de média distância.
Novas ligações também começam a redesenhar conexões estratégicas. A MT‑020 encurta o caminho entre Paranatinga e Canarana, abrindo um corredor que facilita o deslocamento do Norte Araguaia rumo a Cuiabá. Na mesma lógica, o asfalto novo na MT‑343 e na MT‑339 consolida o vínculo entre Cáceres e Tangará da Serra, duas regiões que se complementam economicamente, mas historicamente estiveram separadas por gargalos viários.
A pavimentação avança até mesmo nos extremos territoriais. Obras entre Santa Terezinha e a BR‑158 ampliam a integração do Vale do Xingu, enquanto a continuidade da MT‑100 busca, enfim, chegar a São Félix do Araguaia — uma reivindicação de décadas e, para muitos moradores, a diferença entre isolamento e dignidade.
Na avaliação política e técnica, o discurso do governo se sustenta em um argumento central: o Estado está pavimentando sem distinção entre municípios grandes ou pequenos, reduzindo desigualdades territoriais. Para Marcelo de Oliveira, esse é o eixo que orienta a gestão. “Não há uma região de Mato Grosso que não tenha obras do Governo do Estado”, disse, reforçando que a malha viária em expansão atende tanto polos econômicos quanto localidades afastadas da rota principal.
O desafio agora é manter o ritmo. Pavimentar 7 mil quilômetros num Estado com extensão superior à de muitos países exige coordenação, financiamento sustentável e execução contínua. Se a meta for cumprida, Mato Grosso poderá, pela primeira vez, operar com uma malha rodoviária estruturada de ponta a ponta, capaz de suportar sua força produtiva e atender populações que, até hoje, vivem às margens do desenvolvimento.
As informações são do jornalista Guilherme Blatt, da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra‑MT).




