O MDB de Mato Grosso homologou a candidatura da deputada estadual Janaína Riva ao Senado e aprovou a participação do partido na coligação liderada pelo candidato ao Governo Wellington Fagundes, do PL. Realizada nesta terça-feira (4), em Cuiabá, a convenção encerrou uma negociação que atravessou diferentes possibilidades de composição e colocou a parlamentar em uma chapa que também terá o deputado federal José Medeiros como candidato ao Senado.
A decisão partidária consolida a principal reviravolta das convenções estaduais de 2026. Até poucos dias antes do encontro, o MDB ainda dialogava com Otaviano Pivetta, do Republicanos, examinava a construção de uma candidatura própria com o Podemos e mantinha aberta a possibilidade de acompanhar outro candidato ao Governo.
O acordo com o PL foi fechado depois que a direção nacional da legenda decidiu garantir a candidatura de Janaína ao Senado. Wellington havia anunciado previamente que o entendimento recebeu o aval do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e foi aceito pelos demais integrantes da chapa.
Na convenção, o MDB transformou esse acerto de cúpula em decisão formal dos convencionais.
Candidatura ao Senado torna-se oficial
A homologação encerra a fase de pré-candidatura de Janaína Riva e confirma o projeto construído pelo MDB desde que ela assumiu a presidência estadual da legenda.
Deputada estadual em terceiro mandato, Janaína chega à disputa ao Senado depois de ter sido a parlamentar mais votada para a Assembleia Legislativa em 2022, com 82.124 votos. Desde o início da articulação, ela rejeitou as hipóteses de disputar a vice-governadoria ou concorrer novamente à Assembleia.
A direção nacional do MDB também havia incluído Mato Grosso entre os estados nos quais o partido teria candidatura própria ao Senado. A relação nacional de candidatos da legenda já apresentava Janaína como o nome emedebista no Estado antes da convenção.A convenção confirmou, portanto, uma decisão que já havia sido tomada internamente. O que permaneceu em aberto até os últimos dias foi a escolha do candidato ao Governo que receberia o apoio do MDB.
Acordo com o PL
A aliança foi construída entre Janaína, Wellington e as direções nacionais das duas legendas. Em áudio encaminhado aos candidatos proporcionais do MDB antes da convenção, Janaína informou que o entendimento havia sido concluído após uma conversa com Valdemar Costa Neto.
A deputada também comunicou aos filiados que Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro participariam da campanha da chapa em Mato Grosso. A manifestação representou a confirmação direta de Janaína sobre o acordo que, até então, havia sido anunciado principalmente por Wellington.
A composição encaminhada reúne:
-
Wellington Fagundes, do PL, como candidato ao Governo;
-
Janaína Riva, do MDB, como candidata ao Senado;
-
José Medeiros, do PL, como candidato ao Senado.
A definição da candidatura a vice-governador ainda atravessava negociações paralelas. Marcelo Maluf, do Novo, foi apontado inicialmente para a vaga, mas o PL também manteve diálogo com o Podemos sobre a possibilidade de incorporar um nome indicado por Max Russi.
A eventual mudança na vice não altera a decisão central tomada pelo MDB: o partido apoia a candidatura de Wellington e garante Janaína como integrante da chapa ao Senado.
Jayme declara apoio a Janaína
A presença do senador Jayme Campos, do União Brasil, foi um dos acontecimentos politicamente mais relevantes da convenção.
Jayme manifestou apoio à candidatura de Janaína ao Senado, preservando uma aproximação que começou quando os dois ainda avaliavam a possibilidade de compor a mesma chapa. Em julho de 2025, eles haviam participado de um encontro organizado por Eduardo Botelho e firmado um pacto de diálogo e não agressão política.
O apoio de Jayme a Janaína, entretanto, não deve ser automaticamente interpretado como adesão à candidatura de Wellington Fagundes.
Nos registros disponíveis da convenção, Jayme fala em apoio à candidatura da deputada ao Senado. Não foi localizada uma declaração direta dele pedindo votos para Wellington, anunciando ingresso na coligação ou afirmando que participará da campanha do candidato do PL ao Governo.
A distinção é politicamente necessária. Jayme foi derrotado internamente na convenção do União Brasil, que rejeitou sua candidatura ao Governo e aprovou apoio a Otaviano Pivetta. Desde então, passou a ocupar uma posição independente dentro do próprio grupo.
Ao apoiar Janaína, Jayme mantém uma aliança pessoal e eleitoral com a candidata ao Senado. Isso não significa, pelo menos até agora, que tenha estendido o mesmo compromisso ao candidato a governador da chapa.
Presença não equivale a apoio integral
As imagens da convenção e as publicações feitas em sites e redes sociais mostram Jayme ao lado de Janaína e de dirigentes do MDB. Esses registros comprovam sua presença no evento e sua manifestação favorável à candidata.
Não comprovam, isoladamente, apoio à chapa completa.
Em eleições com duas vagas para o Senado, é possível que uma liderança apoie candidatos de coligações diferentes ou estabeleça compromissos individualizados. O eleitor também poderá votar em dois nomes para senador, o que amplia as possibilidades de alianças cruzadas.
A posição de Jayme precisa ser compreendida nesse contexto: apoio confirmado a Janaína e ausência, até o momento, de uma declaração inequívoca em favor de Wellington.
Convenção expõe uma coligação sob tensão
A formalização do acordo não eliminou as dificuldades políticas da chapa.
Setores bolsonaristas do PL reagiram à incorporação do MDB. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, declarou que não fará campanha ao lado dos emedebistas. O deputado federal José Medeiros, que deverá disputar o Senado na mesma chapa de Janaína, criticou a forma como o entendimento foi conduzido e disse que não fingiria concordância com a decisão.
Apesar das manifestações, a direção estadual do PL informou que cumprirá a orientação nacional favorável ao acordo. A aliança foi mantida e homologada pelo MDB.
O desafio será transformar uma composição eleitoral formal em campanha efetivamente unificada. Janaína e Medeiros disputarão simultaneamente as duas vagas ao Senado, mas representam segmentos políticos diferentes e chegam à eleição após uma série de enfrentamentos públicos.
Wellington terá de administrar essa convivência e impedir que o eleitorado da chapa seja dividido por campanhas paralelas.
MDB fortalece chapas proporcionais
Além da candidatura ao Senado e da coligação majoritária, a convenção homologou as chapas do MDB para a Assembleia Legislativa e para a Câmara dos Deputados.
O partido chega à disputa proporcional fortalecido por novas filiações e pela permanência de nomes com mandato.
Na Assembleia, o MDB reúne parlamentares como Eduardo Botelho, Dr. João, Thiago Silva e Juca do Guaraná, além de outros candidatos incorporados durante a reorganização conduzida por Janaína.
A chegada de Botelho ampliou o potencial eleitoral da lista estadual. Ele deixou o União Brasil e ingressou no MDB com compromisso público de apoiar Janaína ao Senado.
A relação definitiva dos candidatos, nomes de urna e números deverá ser confrontada com a ata partidária e, posteriormente, com os pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral.
Janaína torna-se o centro da composição
O resultado também demonstra o peso eleitoral alcançado por Janaína.
O PL enfrentou resistência interna, reorganizou sua chapa ao Senado e abriu espaço ao MDB para incorporá-la. O partido avaliou que a candidatura da deputada amplia a competitividade da coligação e oferece a Wellington acesso à estrutura municipal emedebista.
Para o MDB, o acordo garante palanque, estrutura de campanha e participação numa candidatura competitiva ao Governo. Também afasta o risco de uma candidatura isolada ao Senado, sem coligação majoritária consolidada.
A convenção marca, portanto, a passagem de Janaína da condição de liderança estadual em ascensão para o centro de uma das principais alianças eleitorais de Mato Grosso.
A partir de agora, a campanha terá de responder a três questões: como será administrada a disputa interna entre Janaína e Medeiros; qual será a participação efetiva de Jayme Campos; e se o Podemos ingressará na coligação ou permanecerá neutro.
São essas respostas — mais do que o ato formal da convenção — que indicarão o alcance real da composição entre MDB e PL.
Nota de Transparência
Esta matéria foi produzida a partir do cruzamento de declarações públicas, registros da convenção, publicações em sites jornalísticos e conteúdos divulgados nas redes sociais de lideranças e partidos, além de manifestações públicas de Janaína Riva, Wellington Fagundes e Jayme Campos.
A relação completa dos candidatos proporcionais deverá ser atualizada após a disponibilização da ata definitiva da convenção e dos pedidos de registro no sistema da Justiça Eleitoral.
O texto foi estruturado com apoio do Sistema Editorial Inteligente do Nossa República (SEI-NR), sob supervisão e responsabilidade editorial humana.






