NOTICIÁRIO Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 19:28 - A | A

Terça-feira, 04 de Agosto de 2026, 19h:28 - A | A

CÁLCULO POLÍTICO

Podemos recua de candidatura própria e Max negocia apoio

Mauro Camargo

Rodrigo Prates

Max Russi na convenção do Podemos

 

O Podemos encerrou sua convenção estadual nesta terça-feira, 4 de agosto, sem candidato próprio ao Governo e sem definição sobre qual dos dois principais projetos da direita apoiará na eleição de Mato Grosso. Depois de anunciar que apresentaria uma candidatura, o partido recuou, descartou a entrada de Max Russi na disputa e transferiu à Comissão Executiva a decisão entre Otaviano Pivetta, Wellington Fagundes ou a neutralidade. A entrada da neutralidade no cenário indica que Max pode preservar a chapa proporcional sem assumir os custos de uma aliança considerada insuficiente. Para Wellington e Pivetta, a disputa pelo Podemos permanece aberta até o último dia das convenções.

A escolha será feita nesta quarta-feira, último dia do prazo para as convenções. A delegação foi aprovada por unanimidade e mantém nas mãos de Max o controle das negociações.

O recuo representa uma mudança em relação ao anúncio feito na noite de segunda-feira. Depois de Pivetta escolher o deputado federal Fábio Garcia para vice, Max reuniu dirigentes do partido e comunicou que o Podemos teria candidatura própria ao Governo.

A intenção não resistiu à convenção.

— Não temos nada definido. Conversamos hoje com os convencionais, com os candidatos, e vamos procurar uma coligação que valorize nosso partido, nosso projeto e as coisas que julgamos serem boas para Mato Grosso — afirmou Max ao chegar ao encontro.

A candidatura própria deixou de ser uma alternativa. O Podemos voltou à condição de partido disponível para composição, mas manteve abertas as conversas com Pivetta e Wellington.

Candidatura foi instrumento de pressão

O intervalo entre o anúncio e a desistência mostra que a candidatura própria não chegou a se transformar em projeto eleitoral organizado.

O Podemos não apresentou nome, vice, candidatos ao Senado ou uma estrutura mínima de alianças. Também não havia tempo político para construir uma campanha estadual competitiva a dois meses da eleição.

Max teria de abandonar uma reeleição considerada segura para a Assembleia Legislativa e assumir uma candidatura formada nas últimas horas, depois que as principais chapas já estavam organizadas.A candidatura própria funcionou, assim, como reação à perda da vice de Pivetta e como instrumento de pressão sobre os grupos que disputam o apoio do partido.

O movimento produziu resultado. Wellington ofereceu ao Podemos a indicação de seu candidato a vice-governador. Pivetta e Mauro Mendes mantiveram aberta a negociação por outros espaços e incluíram o apoio à recondução de Max à presidência da Assembleia Legislativa.

Duas propostas diferentes

As ofertas colocadas diante do Podemos têm naturezas distintas.

Wellington dispõe da vaga de vice. O empresário Elson Ramos, indicado por Max, aparece como uma das possibilidades para a composição. A participação na chapa daria visibilidade ao partido e presença direta em um eventual governo. O grupo de Pivetta não pode mais oferecer a vice-governadoria, ocupada por Fábio Garcia. A negociação passou a envolver a segunda suplência de Mauro Mendes ao Senado, integração à estrutura governista e apoio à permanência de Max no comando da Assembleia em 2027.

De um lado está uma posição na chapa majoritária. Do outro, a continuidade de uma relação política e institucional já existente com o Governo.

A escolha revelará qual é a prioridade de Max: ampliar a presença eleitoral do Podemos ou preservar sua própria posição na estrutura de poder estadual.

Partido está dividido

A indefinição não decorre apenas da estratégia do presidente. Há divisão entre os integrantes do partido.

O deputado federal Nelson Barbudo reconheceu durante a convenção que uma ala defende o apoio a Pivetta e outra prefere a candidatura de Wellington.A primeira corrente considera a proximidade do Podemos com o Governo e o interesse da bancada estadual em manter canais institucionais com o Executivo. A segunda avalia que Wellington oferece maior espaço na chapa e a possibilidade de o partido participar diretamente da disputa pelo comando do Estado.

Os convencionais decidiram não resolver a divergência no plenário. Por unanimidade, transferiram a escolha para a Executiva estadual, formada por 19 integrantes.

O colegiado tem Max Russi como presidente, Ulysses Moraes na vice-presidência, Beto Dois a Um como segundo vice, Edevandro Guandalin na tesouraria e Valdineio Iori na secretaria-geral.

A transferência reduz o número de participantes da decisão e fortalece o comando de Max sobre o processo.

Max preserva três projetos

Ao desistir do Governo, Max preserva sua candidatura à Assembleia, a chapa proporcional do Podemos e seu projeto político para 2030.

O partido homologou candidatos às vagas estaduais e federais. Na disputa pela Câmara, a lista reúne o deputado Nelson Barbudo, o ex-ministro Neri Geller, o ex-secretário de Segurança César Roveri, o pastor Marcos Ritela, o delegado Frederico Murta, o ex-prefeito Fernando Gorgen e as vereadoras Katiuscia Mantelli, Gisa Barros e Kalynka Meirelles.

A meta declarada é eleger pelo menos um deputado federal e disputar uma segunda cadeira. Para a Assembleia, o Podemos projeta uma bancada numerosa, apoiada nas candidaturas de Max e Beto Dois a Um.

Uma candidatura improvisada ao Governo poderia comprometer essa estrutura. Ao recuar, Max evita assumir uma campanha de alto risco e mantém seu caminho para a reeleição.

Também preserva o projeto de continuar na presidência da Assembleia e chegar a 2030 como candidato natural ao Governo.

Decisão entre partido e projeto pessoal

Max afirmou que apoiará o grupo que valorizar o Podemos. O conceito de valorização, entretanto, admite interpretações diferentes. Pode significar espaço na chapa majoritária, participação em eventual governo, apoio às candidaturas proporcionais ou sustentação à reeleição da Mesa Diretora da Assembleia.

A decisão desta quarta-feira permitirá identificar qual desses elementos teve maior peso. Se escolher Wellington, Max poderá apresentar como resultado a conquista da vice-governadoria e a inserção do Podemos numa chapa de oposição.

Se escolher Pivetta, terá de explicar por que o partido permaneceu na base depois de perder a vaga que reivindicava. A justificativa estará, provavelmente, na estabilidade institucional e no apoio ao seu projeto dentro da Assembleia.

Em qualquer dos caminhos, o episódio mostrou os limites da candidatura própria. O Podemos possui representação, estrutura e candidatos competitivos, mas não conseguiu reunir as condições políticas necessárias para entrar na disputa pelo Governo.

O partido aumentou o preço de seu apoio. Max reduziu seus riscos. A eleição, porém, continua sem saber para qual lado irá a última força partidária ainda disponível no tabuleiro.

Nota de Transparência

Esta matéria analítica foi produzida a partir das decisões tomadas na convenção estadual do Podemos, das declarações públicas do presidente da legenda, Max Russi, e de informações cruzadas na cobertura jornalística sobre o processo de definiçào partidária. A delegação da decisão à Comissão Executiva, o recuo da candidatura própria e a homologação das chapas proporcionais são fatos confirmados. As ofertas atribuídas aos grupos de Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes foram registradas por fontes diversas e publicadas na imprensa estadual. A interpretação sobre os objetivos políticos de Max Russi foi construída a partir da sequência factual dos acontecimentos e está apresentada como análise, conforme os critérios de separação entre fato e interpretação do SEI-NR.



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