O custo do conjunto de alimentos essenciais apresentou redução em todas as 27 capitais brasileiras durante o acumulado do segundo semestre de 2025. As variações negativas oscilaram entre 1,56%, em Belo Horizonte (MG), e 9,08%, em Boa Vista (RR). Cuiabá (MT) ficou com a quarta cesta básica mais cara do país em dezembro, ao atingir R$ 791,29, mas apresentou queda de 1,10% no período de abril a dezembro de 2025. As informações são do jornalista Bruno Bocchini, da Agência Brasil.
Os dados foram publicados nesta terça-feira (20) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Desde julho de 2025, o monitoramento passou a abranger todas as capitais do país, ampliando o escopo que anteriormente contemplava 17 cidades.
Boa Vista registrou o maior índice de deflação no período. O valor da cesta básica na capital de Roraima passou de R$ 712,83, em julho de 2025, para R$ 652,14, em dezembro. A diferença nominal representa uma diminuição de R$ 60,69 no custo total dos produtos para o consumidor local ao final do semestre.
Manaus (AM) e Fortaleza (CE) figuram na sequência entre os recuos mais expressivos. Na capital amazonense, o índice foi de 8,12%, com o preço saindo de R$ 674,78 para R$ 620,42. Já em Fortaleza, a redução de 7,90% fez o valor dos itens básicos baixar de R$ 738,09 para R$ 677,00.
Cuiabá entre as mais caras
A capital mato-grossense apresentou comportamento distinto do cenário nacional. Em julho de 2025, a cesta básica de Cuiabá custava R$ 813,48, ocupando a quinta posição entre as capitais mais caras. Ao final do período, em dezembro, o preço subiu para R$ 791,29, mas a capital manteve a quarta posição no ranking de maior custo, atrás apenas de São Paulo (R$ 845,95), Florianópolis (R$ 801,29) e Rio de Janeiro (R$ 792,06).
No recorte regional, Brasília (DF) apresentou o maior declínio no Centro-Oeste, com variação de -7,65%. No Sul, Florianópolis (SC) registrou queda de 7,67%, enquanto Vitória (ES) obteve o resultado de maior impacto no Sudeste, com redução de 7,05% entre os meses de julho e dezembro.
Os menores índices de baixa foram verificados em Belo Horizonte (MG), com 1,56%, Macapá (AP), com 2,10%, e Campo Grande (MS), com 2,16%. Apesar das variações menores em comparação aos líderes do ranking, o movimento de queda foi registrado em todas as unidades federativas monitoradas pelo levantamento conjunto.
O presidente da Conab, Edegar Pretto, relacionou os resultados à execução da política agrícola nacional. Segundo o dirigente, o cenário é reflexo de aportes realizados no setor produtivo para ampliar a oferta de produtos destinados ao mercado doméstico.
"Estamos comemorando porque essa queda generalizada é fruto dos investimentos que o governo federal vem fazendo no setor agropecuário brasileiro, aumentando a produção de alimentos para o consumo interno nacional", afirmou Pretto durante a divulgação dos dados.
O dirigente destacou o papel dos Planos Safra voltados tanto para o setor empresarial quanto para a agricultura familiar nos últimos três anos. Pretto mencionou que os volumes de recursos destinados ao financiamento agrícola atingiram patamares recordes no período.
"Já são três anos que ambos têm valores recordes, não faltando recursos para o financiamento agrícola, e com juros subsidiados", concluiu o presidente da Conab sobre a disponibilidade de crédito e as taxas aplicadas ao setor.





