NOTICIÁRIO Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026, 13:12 - A | A

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026, 13h:12 - A | A

ELEIÇÕES 2026

Rosa Neide defende alinhamento de centro-esquerda e critica modelo de emendas

Da Redação

A diretora da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e presidenta eleita do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso, Rosa Neide, concedeu entrevista ao Jornal da Cultura. Durante o programa, ela abordou questões políticas, eleitorais e de gestão pública, reafirmando o compromisso das forças progressistas com o governo Lula e criticando o modelo atual de emendas parlamentares. As informações são da entrevista concedida aos jornalistas Antero Paes de Barros e Michely Figueiredo.

Rosa Neide informou que ainda está afastada da presidência do PT, com o ex-prefeito de Ijuí, Nalti Peruso, atuando como presidente em exercício. "Mas ele é o presidente em exercício e eu a presidente eleita, e a gente tá trabalhando junto nesse sentido", afirmou. Ela destacou que o partido já indicou o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) para coordenar a campanha no estado, em articulação com PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança.

Questionada sobre declarações suas pedindo que a médica Natasha Slhessarenko se posicione como candidata de centro-esquerda, Rosa Neide esclareceu que não há rejeição à candidata. "Não há rejeição, mas há necessidade dum alinhamento das proposições pra que a gente realmente possa alicerçar esse palanque", explicou. Ela informou que o PSD ainda não fez apresentação oficial de Slhessarenko à federação, o que ocorrerá em breve.

"A doutora Natasha, ela tem muita coisa que ela coloca dos princípios da centro-esquerda com força", reconheceu Rosa Neide, mencionando que o presidente nacional do PT, Edinho Silva, já conversou com a candidata. "Temos toda a tranquilidade em recebê-la. Não há rejeição, mas há necessidade de um alinhamento das proposições", reafirmou.

Debate sobre segundo senador

Sobre a segunda vaga ao Senado, Rosa Neide confirmou que o ministro Carlos Fávaro é o principal nome apoiado pela federação. "Está claro pra todos nós, e desde o início foi assim, o principal nome ao Senado apoiado pela federação é do ministro Fávaro", afirmou. Ela mencionou que o ex-senador Pedro Taques, presidente do PSB, também é considerado como possível candidato.

A deputada estadual Lúdio Cabral defendeu publicamente que a segunda vaga seja ocupada por uma mulher, citando inclusive o nome de Rosa Neide. "Essa fala do deputado Lúdio, é tranquilo o deputado se pronunciar por ele, né? Como eu, Rosa Neide posso falar por mim mesma", respondeu. Ela esclareceu que nenhum nome pode ser anunciado oficialmente sem decisão final da federação.

Rosa Neide argumentou que a orientação nacional é não ter um único candidato ao Senado. "Quer dizer, eu voto no Fávaro porque ele representa a centro-esquerda e depois voto na direita? Então seria um equívoco de projeto, né?", questionou. Ela citou exemplos de outros estados: "Tô vendo São Paulo, por exemplo, a possibilidade de ter Marina Silva e Fernando Haddad como candidato ao Senado. O Rio Grande do Sul, Paulo Pimenta e a nossa companheira Emanuela d'Ávila do PCdoB".

Formação de chapas proporcionais

Sobre a formação de chapas para deputado federal e estadual, Rosa Neide informou que a federação trabalha com projeção de eleger três deputados estaduais e lutar por uma quarta vaga. "Pra federal, a gente também diz isso, eleger um e lutar pela segunda vaga, porque depois que coloca um, o restante de votos não é grande pra você colocar o segundo", explicou.

Ela mencionou que a legislação mudou, melhorando a viabilidade de candidatos. "Dá um pouco mais de viabilidade. Se o Supremo tivesse decidido e tivesse feito valer o que foi decidido pras eleições, porque aí só colocou praticamente os seis que entraram, que foram trocados lá seis pessoas", afirmou, referindo-se às mudanças no sistema eleitoral.

Rosa Neide reconheceu que em 2022 foi a mais votada de Mato Grosso mas não assumiu a vaga. "A gente tá olhando muito essa questão regional. A partir da próxima semana, a própria ministra Gleisi, o presidente Edinho, estará em campo falando com algumas lideranças", informou sobre esforços para evitar repetição da situação.

Crítica ao sistema de emendas

A deputada foi enfática ao criticar o modelo atual de emendas parlamentares. "Sessenta e um bilhões de reais de emendas parlamentares no orçamento 2026", citou, argumentando que o sistema prejudica o planejamento público. "O modelo tá quebrando o país. O modelo tá deixando, por exemplo, as universidades brasileiras sem orçamento", afirmou.

Rosa Neide calculou o impacto por parlamentar: "Nós temos quinhentos e noventa e quatro parlamentares. E aí eu dividi sessenta e um bilhões por quinhentos e noventa e quatro. Sabe quanto que dá? Cento e dois milhões, seiscentos e noventa e três mil, seiscentos e três reais por ano. Isso é um absurdo, cara".

Ela propôs regulamentação do sistema. "Tem que ter emenda de bancada, o Estado tem que planejar junto com a bancada, o que é que se vai fazer com valores maiores", sugeriu. "As emendas só podem ser oferecidas dentro do programa plurianual do desenvolvimento do município, do estado e do país", defendeu como critério.

Benefícios do governo Lula

Rosa Neide destacou ações do governo federal em Mato Grosso. "Na área da saúde, a Carreta da Saúde, que tá vindo agora no início do mês pra cá, trazendo saúde da mulher com exames de Papanicolau, mamografia", exemplificou. Ela mencionou a implementação da pesquisa de HPV e abertura de plantas frigoríficas credenciadas.

Sobre programas sociais, a deputada informou que 329 mil pessoas no estado serão beneficiadas com isenção de imposto de renda a partir de janeiro. "Isso vai equivaler, do final do ano, a um décimo quarto salário", afirmou. Ela também citou o Programa Minha Casa, Minha Vida como forte no estado.

Rosa Neide mencionou a duplicação da BR-163 e investimentos em educação. "Reforma em todos os institutos federais, ampliação do número de vagas, concurso pra Universidade Federal, concurso pro Instituto Federal, concurso público em todos os órgãos", listou. Ela anunciou que o ministro Boulos realizará "Feira da Cidadania" em Cuiabá no dia 4 de fevereiro.

Comunicação e fake news

Questionada sobre dificuldade na comunicação do governo, Rosa Neide apontou o fenômeno das fake news como obstáculo. "A inteligência artificial falando e convencendo como se fosse um ser humano real, com a narrativa muitas vezes, que engana até os mais esclarecidos, né?", alertou. Ela criticou a desinformação organizada: "A desinformação hoje, ela está organizada. É um, é tá parametrizado e organizado pra desinformar".

A deputada defendeu que a população verifique informações em fontes confiáveis. "Eu vou lá na notícia, vou lá num site seguro e vejo que não aconteceu nada", exemplificou. Ela mencionou que o Ministério da Comunicação participará da Feira da Cidadania para discutir como "avançar com a notícia correta".

Preços de alimentos

Como diretora da Conab, Rosa Neide destacou queda nos preços de alimentos. "População viu cinco quilos de arroz sair de trinta e cinco reais e hoje tem de catorze, de treze, de quinze, né? O preço do óleo, o preço do feijão, o preço da farinha. Então a gente viu o preço cair", informou. Ela mencionou que o Brasil saiu do mapa da fome: "Nós tiramo mais de trinta milhões de pessoas da fome".

Funcionalismo público

Sobre a crise com servidores estaduais em relação à Revisão Geral Anual (RGA), Rosa Neide defendeu negociação. "O governante, num estado democrático de direito, ele tem que toda paciência pra fazer o convencimento", afirmou. Ela criticou a falta de diálogo: "Não pode ser uma imposição. Eu vi aí, um deputado dando declaração, falando que pediu ao governador, depois vaza o áudio. Essas coisas são muito desgastantes pra democracia, né?".

Rosa Neide reafirmou que um servidor público bem pago produz mais. "Se você tem um professor, uma professora insatisfeito na sala de aula, humilhado, pisoteado, porque ele não foi ouvido, não foi recebido, não foi atendido, você nunca vai ter uma educação de qualidade", argumentou. Ao encerrar, ela pediu: "Vamos parar de matar as mulheres, vamo parar de matar as nossas filhas, vamo respeitar, vamo ver a diversidade que nós convivemos".



Comente esta notícia

Nossa República é editado pela Newspaper Reporter Comunicação Eireli Ltda, com sede fiscal
na Av. F, 344, Sala 301, Jardim Aclimação, Cuiabá. Distribuição de Conteúdo: Cuiabá, Chapada dos Guimarães, Campo Verde, Nova Brasilândia e Primavera do Leste, CEP 78050-242

Redação: Avenida Rio da Casca, 525, Bom Clima, Chapada dos Guimarães (MT) Comercial: Av. Historiador Rubens de Mendonça, nº 2000, 12º andar, sala 1206, Centro Empresarial Cuiabá

[email protected]/[email protected]

icon-facebook-red.png icon-youtube-red.png icon-instagram-red.png icon-twitter-white.png