As galerias da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) foram ocupadas por servidores públicos estaduais nesta quarta-feira (14), durante sessão ordinária, em uma mobilização pela votação do projeto de lei do Poder Executivo que trata da Revisão Geral Anual (RGA) e pela retomada das negociações sobre percentuais não pagos em anos anteriores. As informações são da jornalista Itimara Figueredo, da Secom-ALMT.
Após a sessão, o presidente da ALMT, deputado Max Russi (PSB), acompanhado de parlamentares, recebeu presidentes de sindicatos e associações para tratar dos encaminhamentos. Na reunião, deputados afirmaram que irão intermediar negociações junto ao governo do Estado e votar o projeto assim que a mensagem do Executivo for encaminhada.
“Assim que o projeto chegar à Assembleia, vamos convocar sessão para votar a RGA e também as contas do governo. Quero que o projeto venha o quanto antes para esta Casa”, afirmou Max Russi. Segundo ele, a Assembleia permanecerá em regime de plantão para dar celeridade à tramitação.
A mobilização foi convocada pelo movimento sindical unificado, liderado pela Federação dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (FEESP). A presidente da entidade, Carmen Machado, disse que o principal encaminhamento foi o compromisso de convocação imediata após a chegada do texto. “Fomos informados de que após a chegada do projeto, haverá a convocação para votação, e nós também seremos avisados com antecedência para nos mobilizarmos novamente”, declarou.
Carmen Machado afirmou que houve autorização para que a mobilização também ocorra no pátio da Assembleia, caso seja necessário, e citou a expectativa de definição ainda nesta semana por causa da folha de pagamento. “Precisamos garantir, inicialmente, os 4,26% referentes à RGA neste ano, sem esquecer os passivos dos anos anteriores”, disse.
Ela também citou levantamento técnico do Dieese e afirmou que servidores acumulam perdas salariais de 2019, 2020, 2021 e 2022, que “somam 19,52%”. “Não se trata de aumento salarial, mas de reposição de perdas inflacionárias que não foram pagas”, acrescentou.
A presidente do Sindepojuc/MT, Cecília Monge, disse que o ato teve participação de diferentes categorias e que a mobilização será mantida até a chegada do projeto. “Agora, vamos aguardar os próximos passos, mantendo a mobilização até a chegada e aprovação do projeto da RGA”, afirmou. Sobre o passivo, ela declarou: “É fundamental o apoio da Assembleia Legislativa para garantir os direitos dos servidores”.
Representando o Sintap-MT, a presidente Orenil de Andrade disse que o movimento marcou retomada da articulação sindical. “Estamos retomando a força do movimento sindical. Os servidores estão demonstrando que querem lutar pelos seus direitos”, afirmou.
A diretora dos Aposentados e Pensionistas do Sintap, Miguelina Cerqueira, disse que o tema envolve também aposentados e pensionistas. “Falamos aqui também em nome dos aposentados e pensionistas. Esses retroativos fazem diferença no salário do servidor. Esperamos sinceridade e compromisso na hora da votação”, declarou.
Na mobilização, a servidora Silbeni Conceição de Amorim Pereira afirmou que a pauta trata do cumprimento de reposição. “Estamos aqui desde cedo buscando o que é nosso direito: a reposição das perdas salariais. É uma questão de respeito ao servidor público”, disse.
O professor de Geografia da rede estadual Nusa Amorim, com 29 anos de carreira, destacou a presença conjunta de categorias. “Educação, saúde e segurança pública estão juntas. O servidor quer negociação, quer diálogo. Não dá para ignorar perdas acumuladas ao longo dos anos”, afirmou.
Ao final do encontro, representantes sindicais disseram que permanecerão mobilizados e aguardam resposta do governo sobre o envio do projeto. A FEESP informou que fará nova avaliação após a votação e que outras formas de mobilização não estão descartadas, “inclusive greve geral”, caso não haja avanço nas negociações.
Serviço: para acompanhar a tramitação, servidores podem verificar as atualizações do Sistema de Apoio ao Processo Legislativo da ALMT, acompanhar a pauta das sessões e manter contato com seus sindicatos e federações para orientação sobre mobilizações e prazos ligados à folha de pagamento.





