NOTICIÁRIO Segunda-feira, 17 de Agosto de 2026, 00:48 - A | A

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ELEIÇÕES 2026

Taques inicia campanha ao Senado ao lado de Fávaro e aposta no confronto com Mauro

Mauro Camargo

Divulgação

Pedro Taques

ELEIÇÕES 2026

 

 

Ex-governador disputa Senado na mesma frente de Fávaro e Natasha, reaparece no campo apoiado por Lula e inicia campanha depois de ver a Heritage alcançar um caso sobre o qual vinha fazendo acusações; desafio é transformar protagonismo no debate em votos

 

Da Redação

 

Pedro Taques começa a campanha de 2026 numa situação que dificilmente seria imaginada quando deixou o Governo de Mato Grosso. Está novamente ao lado de Carlos Fávaro. Está no campo político que apoia Lula. E disputa uma vaga no Senado tendo como um dos principais adversários Mauro Mendes, seu sucessor no Palácio Paiaguás. A política completou uma volta curiosa.

Neste domingo (16), Taques integrou a chapa majoritária da frente Mato Grosso Para Todos, que lançou Natasha Slhessarenko ao Governo e Carlos Fávaro e o próprio ex-governador ao Senado. O ato ocorreu no Contorno Leste, em Cuiabá.

Fávaro e Taques voltam, assim, a disputar juntos uma eleição. Mas agora os dois querem a mesma coisa. Mato Grosso possui duas vagas para o Senado, e a frente de Natasha apresenta justamente dois candidatos.

A fotografia contém muita história.

Taques foi eleito governador em 2014 tendo Fávaro como vice. A aliança se rompeu durante o mandato, Fávaro deixou o governo e os dois seguiram caminhos políticos diferentes.

O reencontro acontece oito anos depois. Não por reconciliação sentimental. Por necessidade eleitoral.

De volta ao campo de Lula

Taques também percorreu uma trajetória política incomum.

Foi procurador da República, senador, governador e candidato derrotado à reeleição em 2018. Passou posteriormente por um período de menor protagonismo eleitoral e agora tenta retornar justamente ao cargo que o projetou nacionalmente.

Está filiado ao PSB.

Sua pré-candidatura ao Senado já vinha sendo construída dentro do campo de apoio a Lula, ao lado da candidatura de Natasha.

A composição oferece estrutura partidária.

Mas Taques possui um problema diferente do de Fávaro.

O senador pode utilizar a passagem pelo Ministério da Agricultura e as relações construídas no governo federal como ponte com Lula.

Taques precisa explicar sua própria travessia.

Sua biografia política não nasceu na esquerda partidária. O eleitor que acompanhou sua trajetória viu alianças e posições bastante diferentes das que sustentam o palanque atual.

A campanha terá de transformar essa mudança em narrativa coerente.

Heritage devolveu Taques ao centro do debate

Existe, porém, um acontecimento que recolocou Pedro Taques no centro da política estadual antes mesmo do primeiro dia de campanha. A Operação Heritage.

Taques vinha questionando havia bastante tempo o acordo envolvendo o Governo de Mato Grosso e a Oi, no valor aproximado de R$ 308 milhões. Depois da deflagração da operação pela Polícia Federal, intensificou os ataques a Mauro Mendes.

Fez acusações gravíssimas.

Em vídeo, afirmou que Mauro teria “roubado” R$ 308 milhões. Em entrevista, declarou que, se fosse o procurador responsável pelo caso, teria pedido a prisão do ex-governador.

Essas afirmações são de Pedro Taques. Não são conclusões da Polícia Federal nem decisão judicial que reconheça culpa de Mauro Mendes. A distinção é indispensável.

A Heritage investiga suspeitas relacionadas ao acordo e à movimentação posterior dos recursos. Foram autorizadas medidas de investigação, mas isso não representa condenação dos envolvidos.

Mauro nega irregularidades. Também acusa Taques, Janaína Riva e outros adversários de exploração e articulação política em torno da investigação. O embate, portanto, está instalado. E dificilmente desaparecerá.

O acusador também será escrutinado

Taques possui uma vantagem eleitoral evidente nesse confronto.

Pode dizer que levantou questionamentos sobre o acordo antes de a Polícia Federal chegar ao caso. Mas existe um risco igualmente evidente.

Ao transformar a Heritage em eixo de campanha, abre caminho para que sua própria administração seja revisitada pelos adversários. Taques governou Mato Grosso entre 2015 e 2018. Sua gestão terminou politicamente desgastada, e ele foi derrotado ainda no primeiro turno quando tentou a reeleição. Mauro Mendes venceu aquela eleição.

O confronto de 2026, portanto, possui uma camada pessoal e histórica impossível de ignorar, embora não seja correto reduzir o embate a ela.

Taques tentará apresentar a discussão como uma questão de integridade pública. Mauro tentará caracterizá-la como ressentimento e exploração eleitoral.

A documentação da Heritage será a fronteira entre as duas narrativas.

Pesquisa mostra distância — e oportunidade

Os números indicam que Taques ainda precisa converter exposição em intenção de voto.

Na Real Time Big Data divulgada na quarta-feira, Mauro Mendes aparece com 27% e Janaína Riva com 25% no cenário consolidado. Fávaro registra 13%, José Medeiros 12% e Pedro Taques 11%.

Taques não está fora da disputa. Mas também não está hoje entre os dois nomes que ocupariam as vagas. Essa diferença é importante. Sua campanha precisa fazer com que o protagonismo conquistado no debate sobre Heritage ultrapasse o público altamente politizado e chegue ao eleitor comum.

Existe ainda um segundo problema. Taques e Fávaro pertencem à mesma frente. Formalmente são parceiros. Eleitoralmente disputam votos.

Cada eleitor possui duas escolhas, o que permite à coligação pedir voto casado nos dois candidatos. Mas nada garante que o eleitor de um dará automaticamente o segundo voto ao outro.

Os dois precisarão crescer. E provavelmente buscarão parte desse crescimento nos mesmos segmentos.

A eleição que revisitará dois governos

A candidatura de Taques acrescenta uma característica especial à disputa pelo Senado.

Dois ex-governadores estarão diante do eleitor. Mauro Mendes defenderá os resultados de sua administração. Pedro Taques fará oposição a ela.

Mas Mauro também poderá perguntar sobre os resultados da administração Taques.

A eleição tende, assim, a colocar dois governos sob julgamento político simultâneo.

Um terminou em 2018. O outro terminou em 2026.

A Heritage aumenta a intensidade desse confronto porque desloca parte do debate do terreno tradicional de obras, estradas, hospitais e indicadores fiscais para decisões administrativas específicas.

O retorno ao Senado passa por Mauro

Pedro Taques começou a vida eleitoral nacional no Senado. Agora tenta voltar. Para conseguir, precisa superar pelo menos dois candidatos que largaram à sua frente e disputar espaço também com o companheiro de coligação Carlos Fávaro.

Sua estratégia inicial parece oferecer uma resposta sobre onde pretende encontrar votos.

No confronto com Mauro. É uma aposta compreensível, mas perigosa.

Se a Heritage produzir novos fatos, Taques poderá reivindicar ter antecipado questionamentos que depois ganharam investigação institucional.

Se a operação perder centralidade ou não confirmar acusações que o candidato vem fazendo publicamente, a estratégia poderá cobrar um preço.

Taques escolheu uma campanha de alta exposição. Fávaro venderá entregas. Janaína venderá capilaridade. Mauro venderá gestão. Medeiros disputará identidade ideológica.

Taques parece disposto a vender fiscalização, enfrentamento e denúncia.

O primeiro dia mostra, portanto, um candidato que regressa a um palanque conhecido de maneira completamente diferente. Está novamente ao lado de Fávaro. Quer novamente o Senado. Mas, para chegar lá, escolheu começar olhando para o homem que o sucedeu no Governo.

Leitura política - Pedro Taques possui uma condição singular na campanha.

Fez questionamentos sobre o acordo com a Oi antes da deflagração da Heritage. Isso lhe permite reivindicar politicamente antecedência no caso.

Não lhe permite reivindicar antecipadamente que suas acusações foram comprovadas.

Essa diferença será fundamental.

Quanto mais Taques elevar o tom, maior será a necessidade de confrontar cada afirmação com a decisão do ministro Flávio Dino, os pedidos efetivamente formulados pela Polícia Federal e os documentos disponíveis da investigação.

Politicamente, Heritage oferece a Taques a oportunidade de recolocar sua candidatura no centro do debate.

Juridicamente, não oferece licença para transformar suspeita em culpa.

E eleitoralmente há uma terceira questão.

O barulho produzido pelo confronto precisa virar voto.

Hoje, as pesquisas ainda mostram que esse caminho está incompleto.

Nota de Transparência

Esta reportagem distingue deliberadamente as acusações políticas feitas por Pedro Taques dos fatos formalmente estabelecidos na Operação Heritage. As declarações segundo as quais Mauro Mendes teria cometido crime ou deveria ter sido preso são manifestações de Taques e não são apresentadas pelo Nossa República como conclusões da Polícia Federal ou do STF. A investigação está em andamento; medidas cautelares não equivalem a condenação. Mauro Mendes nega irregularidades e acusa adversários, entre eles Taques, de exploração política do caso. Os números eleitorais mencionados são da Real Time Big Data, realizada entre 7 e 11 de agosto com 1.600 eleitores e margem de erro de dois pontos percentuais. O número de registro na Justiça Eleitoral deve ser inserido na versão publicada após conferência no registro oficial, evitando reproduzir protocolo sem validação documental.



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